
Sempre que vejo a palavra "experimental" associada a música, teatro ou cinema, tenho tendência para fugir a sete pés. Para mim, "experimental" costuma equivaler a "nó no cérebro".
Ora, na passada 5ª feira tive um convite para assistir a uma peça de teatro... experimental. Mas como já não me lembro da última vez que fui ao teatro, as saudades de sentir a energia de uma peça falaram mais alto e "'bora lá!".
Encenada por Carlos Avilez e animada pelo Teatro Experimental de Cascais (a minha primera vez com o TEC), "Deserto, Deserto" tem como mote seis velhos actores que se encontram no meio do deserto e, durante sete dias, participam na (re)criação de um mundo sem Deus, enquanto presos num limbo de velhas memórias de glória e miséria.
"Deserto, Deserto" é um exercício Surrealista e altamente conceptual que, como será de esperar, assenta redondamente no conceito de "experimental" - o tal que tanto temo.
O interessante é que dei por mim totalmente preso à peça, desde o momento que começou. Houve momentos absolutamente hilariantes (o teatro do Absurdo, a lembrar Beckett), outros profundamente comoventes. Havia uma aura de início de século, decadente e mágica.
E os actores: o melhor de toda esta experiência. Anna Paula, António Marques, Luiz Rizo, Paulo B., Santos Manuel e Sérgio Silva foram magistrais.
Graças ao seu enormíssimo talento, vivi um momento "experimental" de que não me esquecerei - pela positiva. Fica aqui o meu agradecimento.




