E este não foi apenas um passeio de barco. Foi muito mais que isso.
A manhã estava perfeita, soalheira e fresca q.b.. No cais, esperava-nos um antigo veleiro, agora recuperado. Enquanto o navio fazia a largada, içava-se a vela (com a ajuda de alguns voluntários, incluindo o Piriquito). Ali estava: a vela portuguesa, outrora pioneira, ponto de partida para um grandioso capítulo em tempos vivido. .


E lá fomos nós, ouvindo o comandante a partilhar episódios da sua vida no mar, quando um "dia de trabalho" durava 7 meses em alto-mar e o peixe era conservado em espessas camadas de sal. Histórias de naufrágios e sobrevivência - e de como a morte e a vida passam a ter uma nova dimensão. «Amo o mar, mais do que a minha própria família», disse o lobo-do-mar. O mar como ar que se respira e que, só então, nos deixa experienciar tudo o resto - incluindo o amor.
A dada altura, findas as histórias, era isto que tínhamos: nós, o mar e o vento. O vento a determinar a velocidade, o mar a ocupar o som e a imagem. Nada mais. Percorremos uma pequeníssima extensão de costa, durante aquela hora e meia. Mas pus o pé de volta à terra com a sensação de ter viajado o espaço eterno do aqui e agora. Tínhamos fome e decidimos almoçar por ali. E levámos uma eternidade a percorrer a distância do cais à zona de restauração - um percurso que dura escassos minutos, ao nosso ritmo "normal".
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Só me apercebi disso, dias mais tarde. Será mesmo que nos pertence, esse ritmo que percorre as distâncias em passadas largas e frenéticas, sempre a querer chegar a algum lado, porque a seguir tenho que fazer isto e a seguir tenho que ir para ali, àquela hora? Sempre o futuro, raramente o presente.
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E naquele (raro) instante, todos andávamos devagar. Muito devagar. Alguns paravam. Outros - como eu - não falavam sequer. Quis apenas sentir aquela quietude.
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Talvez o nosso verdadeiro ritmo seja mesmo o ritmo do vento.

Os passeios são semanais e a um preço muito acessível. Parabéns à Câmara Municipal de Cascais pela iniciativa. Aqui está o link. Vale mesmo a pena.

2 comentários:
Já fiz esse passeio, mas tive o azar de nesse dia não se poder içar a vela...
Sabes que fui parar ao teu blog eConsciência por sugestão de um colega? Este mundo é mesmo pequenino!
Espero ver-te em breve num jantar :)
Olá Pat! O passeio é óptimo, não é?
Quanto ao econsciência, só posso dizer... wow! Fico super contente por sabê-lo!
Beijinhos e até ao nosso jantar! :)
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