Creio nos anjos que andam pelo mundo
Creio na Deusa com olhos de diamantes
Creio em amores lunares com piano ao fundo
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes.
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes
Creio que tudo é eterno num segundo
Creio num céu futuro que houve dantes.
Creio nos deuses de um astral mais puro
Na flor humilde que se encosta ao muro
Creio na carne que enfeitiça o além.
Creio no incrível, nas coisas assombrosas
Na ocupação do mundo pelas rosas
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.
Natália Correia, Ó Véspera do Prodígio! - IV
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Bairro do Amor: para a J.
Tenho estado a re-organizar a minha colecção de música e já não me lembrava que tinha Jorge Palma. Não sendo grande apreciador, há uma música sua que é simplesmente lindíssima.
Chama-se "Bairro do Amor". Lembra-me a minha querida J. e os dias em que vivemos juntos, em Londres e na Rua do Duque.
Quis dedicar-lhe esta música e pus-me no Youtube. Descobri esta actuação, gravada na gala da Abraço em 1991. Junta Jorge Palma, Lena D'Água, Natália Correia e António Variações. Uma verdadeira pérola que acabo de descobrir.
Esta é para ti, querida J.
No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de cor
Por gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do Verão?
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem
No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar
O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há prisões nem hospitais
No bairro do amor cada um tem de tratar
Das suas nódoas negras sentimentais
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem
Chama-se "Bairro do Amor". Lembra-me a minha querida J. e os dias em que vivemos juntos, em Londres e na Rua do Duque.
Quis dedicar-lhe esta música e pus-me no Youtube. Descobri esta actuação, gravada na gala da Abraço em 1991. Junta Jorge Palma, Lena D'Água, Natália Correia e António Variações. Uma verdadeira pérola que acabo de descobrir.
Esta é para ti, querida J.
No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de cor
Por gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do Verão?
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem
No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar
O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há prisões nem hospitais
No bairro do amor cada um tem de tratar
Das suas nódoas negras sentimentais
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem
Nine

Uns adoraram, outros detestaram. E eu fico sempre curioso quando alguém decide embarcar num género que, nos dias que correm, é bastante ambicioso: o musical.
E eu gostei do "Nine". Aliás, gostei muito. Depois da Chicago dos anos 20, Marshall leva-nos agora ao universo do cinema italiano dos anos 60. E fá-lo de uma forma exímia e cativante. É, sem dúvida, um génio na arte de recriar estilos que definiram épocas, mais do que contar histórias - estas, a meu ver, não passam de boas desculpas para justificar tais celebrações de som e imagem.
Concordo com aqueles que dizem que "Nine" não é tão soberbo como "Chicago". Mas também aqui se sente a essência dos musicais clássicos de Hollywood, com toda a magia para a qual somos alegremente transportados.
E foi tão bom ver Sophia Loren, com 75 anos, numa recriação do tempo em que foi uma das musas da Cinecitta...
E eu gostei do "Nine". Aliás, gostei muito. Depois da Chicago dos anos 20, Marshall leva-nos agora ao universo do cinema italiano dos anos 60. E fá-lo de uma forma exímia e cativante. É, sem dúvida, um génio na arte de recriar estilos que definiram épocas, mais do que contar histórias - estas, a meu ver, não passam de boas desculpas para justificar tais celebrações de som e imagem.
Concordo com aqueles que dizem que "Nine" não é tão soberbo como "Chicago". Mas também aqui se sente a essência dos musicais clássicos de Hollywood, com toda a magia para a qual somos alegremente transportados.
E foi tão bom ver Sophia Loren, com 75 anos, numa recriação do tempo em que foi uma das musas da Cinecitta...
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Shear Genius
Mesmo com uma constipação tremenda, o Piriquito transforma aquilo que toca em ouro.
Este fim-de-semana foi o meu cabelo. Inovou no corte e o resultado foi excelente: dou por mim a ir-me ver ao espelho mais do que o normal (e o "normal" não é assim tanto) e hoje a minha colega de trabalho teceu um enorme elogio. Quando lhe disse quem tinha sido o criador do corte, ela soltou um daqueles "Nossa!" deliciosos, no seu sotaque paulista.
Piriquito's work is shear genious! :)
Este fim-de-semana foi o meu cabelo. Inovou no corte e o resultado foi excelente: dou por mim a ir-me ver ao espelho mais do que o normal (e o "normal" não é assim tanto) e hoje a minha colega de trabalho teceu um enorme elogio. Quando lhe disse quem tinha sido o criador do corte, ela soltou um daqueles "Nossa!" deliciosos, no seu sotaque paulista.
Piriquito's work is shear genious! :)
It's Blitz! (Yeah Yeah Yeahs, 2009)

De novo, a música. Já tinha saudades de sentir aquele entusiasmo que nos faz querer ouvir um álbum vezes e vezes sem conta. Este é um dos 2 responsáveis pelo comeback.
A primeira pergunta que fiz foi mesmo «como é que isto me passou ao lado?»: lançado em 2009, "It's Blitz!" é o terceiro e mais recente álbum do trio nova-iorquino Yeah Yeah Yeahs, que há 4 anos me caíra no goto com o magnífico "Gold Lion". Foi muito graças a um anúncio na Radar que me pus à procura de material novo. Bendita a curiosidade, pois dei de caras com um álbum que me conquistou logo à primeira - algo que não é muito frequente, no género rock, seja ele indie, alternativo ou puro.
"It's Blitz" é enérgico e electrizante. As electrónicas diluem-se na aspereza das guitarras, abrindo espaço para o melhor deste álbum: a interpretação de Karen O, que recupera a teatralidade de Siouxsie Sioux - algo que parecia perdido no tempo e que agora invade o presente, sem contudo soar a imitação. "Zero", a faixa de abertura, é daquelas que ouço em repeat. Genial.
A primeira pergunta que fiz foi mesmo «como é que isto me passou ao lado?»: lançado em 2009, "It's Blitz!" é o terceiro e mais recente álbum do trio nova-iorquino Yeah Yeah Yeahs, que há 4 anos me caíra no goto com o magnífico "Gold Lion". Foi muito graças a um anúncio na Radar que me pus à procura de material novo. Bendita a curiosidade, pois dei de caras com um álbum que me conquistou logo à primeira - algo que não é muito frequente, no género rock, seja ele indie, alternativo ou puro.
"It's Blitz" é enérgico e electrizante. As electrónicas diluem-se na aspereza das guitarras, abrindo espaço para o melhor deste álbum: a interpretação de Karen O, que recupera a teatralidade de Siouxsie Sioux - algo que parecia perdido no tempo e que agora invade o presente, sem contudo soar a imitação. "Zero", a faixa de abertura, é daquelas que ouço em repeat. Genial.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
McQueen / Bjork
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Morreu Alexander McQueen
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O 2 de nós 2
Diz a numerologia que o 2 é o número do equilíbrio, gerado a partir do encontro, união e cooperação de duas pessoas. Há 2 anos atrás, a Natureza assistiu a um fenómeno único e maravilhoso: a união de um Piriquito e de uma Batata. Desde então, o mundo tornou-se um lugar melhor.
Parabéns ao 2 de nós 2.
Parabéns ao 2 de nós 2.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Coincidências (1): Maternidade
Recebi há dias um email da H., a partilhar uma coincidência que acabara de descobrir sobre a tarde que passámos na esplanada do Linha D'Água, no Jardim Amália Rodrigues.
Foi numa tarde de Dezembro e estávamos eu, o Piriquito, ela e o seu folhadinho de espinafres, nessa altura com um mesito e tal. A ocasião era muito especial: era o nosso primeiro café pós-parto. A H. e o folhadinho chegaram um pouco depois de nós, pois ela não dava com a esplanada. Uns minutos antes ligou, a pedir-me indicações. E uma das referências que lhe dei foi a estátua da senhora gorda com o bebé ao colo, que está na orla do jardim.
É aqui que surge a coincidência: a estátua é uma escultura de Fernando Botero, intitulada "Maternidade". E no email, a H. remata com um texto «que está no site da Junta de Freguesia de São Sebastião da Pedreira (de onde vêem os bebés em Portugal). Ele há coisas...»

“Maternidade” (1989)
Escultor: Fernando Botero
Sentada, a mãe não olha o filho que tem no seu colo. Por momentos, o seu olhar desviou-se e contempla um ponto distante no mundo em redor. Mas esse horizonte, que a absorveu, alia-se à consciência do seu corpo no contacto com a criança que segura. A tranquilidade, que repousa sobre as suas mãos, traça um gesto maternal, perene e atento, num contraste com a impetuosidade alegre e inocente da criança. E, se no seu todo se descortina algo de esfíngico que nos remete para a universalidade e intemporalidade da criação e para a essência da fecundidade pré-histórica de uma Vénus de Willendorf, no interior da volumetria voluptuosa da sua carne de bronze, fervilha uma fertilidade ancestral e nutre-se esse elo emocional inquebrável entre mãe e filho. É nesta dialéctica, entre o monumental e o humano, que se inscrevem as esculturas deste autor.
Texto publicado na Junta de Freguesia de S. Sebastião da Pedreira.
Foi numa tarde de Dezembro e estávamos eu, o Piriquito, ela e o seu folhadinho de espinafres, nessa altura com um mesito e tal. A ocasião era muito especial: era o nosso primeiro café pós-parto. A H. e o folhadinho chegaram um pouco depois de nós, pois ela não dava com a esplanada. Uns minutos antes ligou, a pedir-me indicações. E uma das referências que lhe dei foi a estátua da senhora gorda com o bebé ao colo, que está na orla do jardim.
É aqui que surge a coincidência: a estátua é uma escultura de Fernando Botero, intitulada "Maternidade". E no email, a H. remata com um texto «que está no site da Junta de Freguesia de São Sebastião da Pedreira (de onde vêem os bebés em Portugal). Ele há coisas...»

“Maternidade” (1989)
Escultor: Fernando Botero
Sentada, a mãe não olha o filho que tem no seu colo. Por momentos, o seu olhar desviou-se e contempla um ponto distante no mundo em redor. Mas esse horizonte, que a absorveu, alia-se à consciência do seu corpo no contacto com a criança que segura. A tranquilidade, que repousa sobre as suas mãos, traça um gesto maternal, perene e atento, num contraste com a impetuosidade alegre e inocente da criança. E, se no seu todo se descortina algo de esfíngico que nos remete para a universalidade e intemporalidade da criação e para a essência da fecundidade pré-histórica de uma Vénus de Willendorf, no interior da volumetria voluptuosa da sua carne de bronze, fervilha uma fertilidade ancestral e nutre-se esse elo emocional inquebrável entre mãe e filho. É nesta dialéctica, entre o monumental e o humano, que se inscrevem as esculturas deste autor.
Texto publicado na Junta de Freguesia de S. Sebastião da Pedreira.
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