quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Home-hunting 2

Local: perto da Estefânia e do Campo dos Mártires da Pátria.

O que vi: um T1 numas águas furtadas. A casa em si era interessante, muito luminosa e com boas áreas. Mas tudo era demasiado antigo: as instalações eléctricas eram preocupantes, a casa de banho era um buraco, não havia saída de fumos e o prédio era deprimente, de tão estreito e decrépito. Serviu-me para lembrar o que eu não quero na minha futura casa. Recuperei o Norte, neste processo de procura.

Veredicto: não.

Rota da Pastelaria (1): Pampilhos

Naturalidade: Santarém

Da família dos doces conventuais, os Pampilhos são o ícone da pastelaria Ribatejana. Foram baptizados com este nome, em homenagem aos paus que os pastores Ribatejanos usavam para conduzir o gado.

A forma é, de facto, alusiva ao nome: os Pampilhos são pequenos rolinhos de massa, composta por farinha, ovos, margarina e açúcar. Aparentemente, nada de especial. Mas o recheio de doce ovo e a consistência da massa (húmida e meio granulada) conferem-lhe um toque especial. À primeira vista são pequenos, mas descobre-se que são bem pesados e consistentes.

Há também a versão de chocolate (no recheio e na cobertura), para gáudio aqui do menino.

Portugal (Re)Visited I: Santarém

Eu e o Piriquito terminámos o fim-de-semana semi-prolongado a estrear um projecto de lazer que tínhamos vontade de iniciar há algum tempo: o de dedicar um dia para conhecer ou revisitar um qualquer destino português - seja cidade, cidadela, vila, aldeia, lugarejo ou terra de ninguém.

Porque a tarde de Entrudo já ia alta quando fomos buscar a mãe do Piriquito (o Carnaval de Los Angeles durou até às 6 da manhã), escolhemos como 1º destino algo não muito longe de Lisboa. Santarém pareceu-nos bem.

Ficou no bloco de notas: as ruas antigas, ladeadas por edifícios cobertos a azulejo; as muitas igrejas e suas fachadas atípicas; a grande Sé Catedral; a triste visão de um edifício Art Deco em ruínas (o antigo Teatro Rosa Damasceno); a promessa de um dia visitar as Portas do Sol, agora fechadas para remodelação.

Uma estreia bem simpática.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Quem diria?

Já nem me lembro da última vez que me mascarei pelo Carnaval. Seguramente, antes da adolescência. Pois volvidos 20 e tal anos, acabei a noite de 2ª feira disfarçado de "Anjo Negro" (ou um gótico com asas), com direito a maquilhagem e adereços.
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Este juntou-se a um séquito de anjos (composto por um Barroco, um Vermelho, um Sixties, um à paisana e outro Negro, seu marido) para rumarem ao Bacalhoeiro, para se fazerem sócios e dançarem a noite toda, tendo como pano de fundo o "Pink Flamingos" de John Waters (ultra-filthy, hyper-trashy...).

Diverti-me tanto que, para o ano, quero repetir a dose - já estou a pensar na fatiota e tudo. Blame it on Piriquito!

And the Oscar goes to...

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Happy Go Lucky

Este é um filme sobre uma personagem atípica.

Poppy está na casa dos 30, é educadora de infância, solteira e divide casa com uma amiga. No meio desta "normalidade", tem um traço bem distintivo: está sempre alegre. Funciona com a Alegria tal como funciona com o coração, os pulmões , o baço... de forma simples e sem esforço.

"Happy Go Lucky" é deliciosamente inspirador, por não cair na armadilha do inverosímil ou da tontice. E inevitavelmente, saímos do cinema à procura da Poppy que há em nós.

En-ra-ha!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Miradouro

A ida à ALP não foi de todo em vão: há já muito que não subia as Escadinhas do Duque e a Rua de São Pedro de Alcântara - em tempos, o meu trajecto preferido para os Sábados à tarde.
A tarde enchia-se de sol, era 6ª feira e aproveitei para estrear o miradouro, agora renovadíssimo.


A polémica dos atrasos nas obras de renovação já lá vai e, contas feitas, valeu a pena esperar: o miradouro está lindo e encheu-me de orgulho por fazer parte da minha Lisboa. E depois há a vista - para mim, de todas a mais bonita.
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O absurdo em 10 segundos

Aproveitei a hora de almoço para ir à Associação Lisbonense de Proprietários e espreitar os anúncios de casas para arrendar. Fui surpreendido com o facto de já não terem os mesmos em exposição, sendo agora necessário tirar uma senha para que um funcionário os disponibilize.

Como tinha ainda um tempinho de margem, lá tirei a senha. Tinha 5 pessoas à minha frente e fui esperando. E esperando. E percebendo que, dos 7 guichets de atendimento, apenas 2 estavam a funcionar e o "meu" estava vazio.

No meio da espera, deu-se o instante surreal: de um lado, os guichets totalmente vazios - incluindo os 2 que funcionavam, com as senhoras a olhar para o infinito, por não haver nenhuma senha a chamar para o seu "departamento"; do outro lado, 5 pessoas à espera, incluindo eu.
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Ao fim de 10 segundos de absurdo, saí porta fora.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

The Story of Stuff

Às vezes, é preciso que nos expliquem certas coisas como se tivessemos 5 anos...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A Hora do Planeta!

A notícia saiu hoje: Lisboa acaba de aderir à Earth Hour, uma iniciativa que visa apelar a uma maior consciência ecológica e sustentável, através da redução das emissões de CO2 - algo que todos nós podemos (e temos a obrigação de) fazer.

Assim, o Planeta está a organizar-se para um apagão geral, marcado para o dia 28 de Março, às 20:30. Durante 1 hora, vamos parar a electricidade - e as emissões de CO2 que dela resultam.

A CML anunciou que monumentos como a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos ou o Mosteiro dos Jerónimos vão ficar às escuras e aderir a este movimento mundial.

O dedo já está a postos no interruptor!

Hora do Planeta

Earth Hour

Earth Hour started in 2007 in Sydney, Australia with 2.2 million homes and businesses turning their lights off for one hour. Only a year later and this event had become a global sustainability movement with up to 50 million people across 35 countries participating. Global landmarks such as the Golden Gate Bridge in San Francisco, Rome’s Colosseum and the Coca Cola billboard in Times Square, all stood in darkness, as symbols of hope for a cause that grows more urgent by the hour.
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Earth Hour 2009 is a global call to action to every individual, every business and every community. A call to stand up, to take responsibility and to get involved in working towards a sustainable future. Iconic buildings and landmarks from Europe to The Americas will stand in darkness. People across the world will turn off their lights and join together in creating the vital conversation about the future of our precious planet.

Over 64 countries and territories are participating in Earth Hour 2009. This number grows every day as people realise how such a simple act, can have such a profound result in affecting change.

Earth Hour is a message of hope and a message of action. Everyone can make a difference.

Fonte: Earth Hour

Prós e Contras (ou Homofóbicos fazendo figura de grunhos...)

Ontem a RTP dedicou o debate semanal do programa Prós e Contras ao tema do acesso ao matrimónio a casais do mesmo sexo.

Fora a algaraviada que seria de esperar, fiquei contente ao observar uma coisa: cada vez mais, o discurso dos "contra" se revela incoerente, contraditório, pateta, excessivamente emocionado (um interveniente esteve à beira de espumar pela boca). A argumentação dos "prós", por seu turno, é coerente, bem fundamentada, inteligente, segura.

O que me leva a concluir que a homofobia do actual sistema vigente está a perder o controle e a pose, a borrar-se de medo face a uma realidade inevitável na evolução do ser humano: a do reconhecimento de que TODOS nós temos as mesmas responsabilidades, os mesmos direitos, o mesmo direito à escolha. Em suma, há algo que começa a dar o berro. Resta saber quando...

Do referido debate, ficaram 2 coisas:
- um momento de pura comédia, da autoria de um professor universitário, ao afirmar que "os bissexuais são pessoas que casam com um homem e uma mulher ao mesmo tempo"...;
- as intervenções exemplares de Fernanda Câncio e Miguel Vale de Almeida, tão úteis para a educação de tanta mente atrasada.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Songs For Someone (Perry Blake)

Acabo de descobrir este álbum. E estou rendido.

Turistas em Lisboa

A visita de um casal amigo de Barcelona serviu de oportunidade para fazermos turismo em Lisboa - de vez em quando lá acontece, e sabe sempre tão bem...

Foi uma oportunidade para eu entrar pela primeira vez na Sé (eu sei, é uma vergonha...) e revisitar o Cristo-Rei (era ainda um gaiato quando os meus pais me levaram lá), para desfrutar de uma das vistas panorâmicas mais maravilhosas que temos.
I LOVE LX!


sábado, 14 de fevereiro de 2009

É oficial: estou à procura de casa!

Quando dei por mim, estava a telefonar para o número que vinha no anúncio, acabadinho de publicar no Ocasião desta 5ª feira. Um T0 bem perto da Praça de Espanha, com terraço e cozinha equipada, dentro do meu budget! Marquei a visita para essa tarde, saí mais cedo do trabalho e lá fui eu.

Veredicto: uma bela cozinha, um terraço mimoso, com bom potencial, mas um quarto/sala demasiado pequeno. Pior ainda, sem luz solar. Não.

Mas regressei a constatar um facto, que me encheu de alegria: estou à procura de casa!

Bill Viola

À medida que vou conhecendo mais sobre este artista, mais me vou fascinando. As imagens falam por si...





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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

"Amjad", La La La Human Steps

De novo, a Dança!

Desta vez com "Amjad", dos La La La Human Steps (o primeiro espectáculo da companhia canadiana a que assisto), no CCB.

A expectativa era grande e, talvez por isso mesmo, o efeito "wow" não dominou.

Os La La La Human Steps são detentores de uma marca que os torna únicos: a técnica. São autores de uma linguagem coreográfica que, contrariamente ao que define a Dança Contemporânea, reage ao ballet clássico não pela desconstrução, mas pela reinvenção. Toma-o como espinha dorsal, para nele incorporar os vários códigos da nossa actualidade, seja na cenografia (o video a assumir uma relevância pouco usual), na música (o piano e as cordas a alternar com electrónica experimental) ou, claro está, no movimento.


A peça pecou, contudo, pela falta de intensidade. Dir-se-ia "morna", talvez demasiado focalizada na técnica, com pouca densidade emocional. Mas valeu a pena estar presente e testemunhar algo muito raro: a Dança Contemporânea em pontas... incluindo pelos pés de um homem.

Se eu fosse um animal...

... seria um Podengo - sem sombra de dúvidas.




Agradecimentos: ao Piriquito, pelas imagens e por ter sido tão certeiro.

Podengo Português

Esta é considerada uma das raças de cães mais antigas - a teoria mais provável aponta para que tenha descendido dos cães faraónicos existentes no Alto Egipto. Foi introduzido no nosso país por volta do ano 700 a.C. pelos mercadores fenícios e teve, desde logo, grande aceitação, devido à sua capacidade de caça, ajudando desta forma à subsistência das populações mais humildes.

Actualmente, os Podengos mais comuns em Portugal são os pequenos e médios. O grande é bastante raro, sendo que a variedade de pêlo liso corre perigo de extinção.


Os Podengos são alegres, inteligentes e muito sociáveis com outros cães. São extremamente afectuosos com os donos, cuidadosos com as crianças e asseados. Temerários na caça, são muito ariscos a estranhos, o que, aliado à permanente vigilância do seu território, faz deles atentos cães de guarda, desprovidos contudo da agressividade de outros cães de guarda e defesa.


Um dia, quando eu tiver um cão, será um destes...

fonte: wikipedia

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

On the cover (1)

Com'Out, Fevereiro 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Bem vinda, Leonor!

Antes do jantar, fomos visitar a nova sobrinha que, à hora a que chegámos, somava a linda idade de... 26 horas.

Pela 3ª vez (depois da Paty e da Mary), tive o privilégio de presenciar a vida, no seu estado mais puro.

A imagem fala por si...
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Ai, caramba!

E por ocasião do 1º aniversário de um dos híbridos mais fascinantes da Natureza, o Piriquitus-Tuberculus, Batata levou Piriquito a jantar fora.

Local escolhido: a Casa México.




















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O nome não poderia ser mais acertado: a decoração, as cores e a música fazem-nos crer que estamos algures no México e que, a qualquer momento, a Frida Khalo virá juntar-se a nós para uma bela e tradicional refeição.
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E depois há a comida, claro. Muito resumidamente, foi um repasto - para além de ter sido a minha primeira experiência na gastronomia mexicana, desde as entradas até à sobremesa. Ele foi margaritas, ele foi guacamole, ele foi burritos... ai, caramba!
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Resultado: Piriquito e Batata saíram de lá a rebolar, com um pifo em cima do pêlo (ou melhor, da pena e da casca, respectivamente)...
Veredicto: a repetir.
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O presente mais romântico de sempre

Recebi eu esta manhã, quando cheguei ao escritório: um telegrama de chocolate!
E vinha assinado pelo Piriquito de Barriga Azul-Cor-do-Céu.

Há sensações que são difíceis de descrever. A desta manhã é, seguramente, uma delas.

1 Ano de Piriquito e Batata!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Dream On (Robyn)

Nem a propósito. Depois de "Milk", encontro esta canção.
O sonho comanda a vida...

Thugs and badman
Punks and lifers
Fucked up interns
Pigs and snitches
Rest your weary heads, all is well

You won’t be strip-searched, torn up tonight
You won’t be cut up, bleeding tonight
You won’t be strung out, cold, shaking to your bones
Wishing you were anywhere else but right here
So dream on

Thieves and muggers
Tricks and hustlers
Cheats and traitors
Scum and low-lifes
Rest your weary heads, all is well

You won’t be sad or broken tonight
You won’t be squealed on, ripped up tonight
You won’t be back-stabbed, double cross, face down
Teeth knocked out, lying in a gutter somewhere
So dream on

Freaks and junkies
Fakes and phonies
Drunks and cowards
Manic preachers
Rest your weary heads, all is well

You won’t be pushed or messed with tonight
You won’t be lied to, ruffed up tonight
You won’t be insane, paranoid, obsessed
Aimlessly wandering through the dark night
So dream on

Milk

É também para isto que serve o cinema: para nos dar a conhecer pessoas que não estão nos livros de História, mas que fazem a nossa história.

Harvey Milk foi uma dessas pessoas. Muitos de nós não sabia da existência deste homem, mas Gus Van Sant fez-nos o favor de o imortalizar no cinema.

Milk foi alguém que sonhou e lutou por um mundo onde todos fossem tratados por igual. Não apenas os da sua "minoria", mas os de todas as "minorias".

E mostrou-nos como cada um de nós pode fazer a mudança, de nós próprios para o nosso seio familiar, para a nossa vizinhança, para o nosso local de trabalho, para a nossa comunidade, para o nosso país. A servir-nos de guia, está a Esperança.


Este é um dos grandes filmes de 2009. E o trabalho de Sean Penn é sublime. Sublime.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Modernismo futurista dos anos 60 pela lente de Jacques Tati...





... e pela lente de Mark Romanek

Play Time

A noite de temporal impediu-me de sair de casa, mas acabei por ser compensado com um filme interessantíssimo que passou na 2.

"Play Time" foi realizado em 1967 pelo francês Jacques Tati, sendo considerado a sua obra-prima. De facto, este não é um típico filme narrativo, mas um exercício de estética e, sobretudo, de ironia à febre de "modernidade" que tomou de assalto a sociedade ocidental dos anos 60.

Um grupo de turistas visita uma Paris totalmente futurista, feita de vidro, linhas rectas, cinzentos e azuis, tecnologia industrial, minimalismo. Mas toda esta organização milimétrica, automática e geométrica corre sérios riscos, graças a um "pequeno" elemento destabilizador: o ser humano. Em algumas cenas, o humor é genial.

O mais interessante é que tudo isto nos é apresentado em forma de "postal ilustrado em movimento": não há uma história com princípio, meio, clímax e fim (se descontarmos a chegada, estadia e partida do grupo de turistas); não há personagens-chave; não há close-ups; os diálogos são banais e reduzidos ao ruído de fundo necessário; e tantos outros elementos que fazem de "Play Time" uma obra de arte, não apenas de cinema.

Virgo Blaktro And The Movie Disco (Felix Da Housecat)

Já conhecia alguns remixes de Felix Da Housecat, mas nunca tinha ouvido um álbum produzido em nome próprio.

"Virgo Blaktro And The Movie Disco" (2007) foi uma belíssima surpresa. Felix da Housecat vai contra o que seria esperado e, ao invés de compilar alguns phat beats para dançar, elabora uma brilhante tese sonora sobre a evoulção da música de dança.
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Com "Virgo Arrival" (1ª faixa), entramos no nightclub, em plena efervescência Disco. Continuamos na pista e o som, embora inconfundível na sua modernidade, vai sendo temperado com as várias linguagens de dança dos últimos 30 anos: o Funk, o Old School, a Electrónica, o House, o Techno, o Electro... A cápsula do tempo acaba de se partir.
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Desde "Discovery" dos Daft Punk ou, mais recentemente, "Love Mysterious" dos Kaskade, que não ouvia um álbum de dança tão bom.