A noite de temporal impediu-me de sair de casa, mas acabei por ser compensado com um filme interessantíssimo que passou na 2."Play Time" foi realizado em 1967 pelo francês Jacques Tati, sendo considerado a sua obra-prima. De facto, este não é um típico filme narrativo, mas um exercício de estética e, sobretudo, de ironia à febre de "modernidade" que tomou de assalto a sociedade ocidental dos anos 60.
Um grupo de turistas visita uma Paris totalmente futurista, feita de vidro, linhas rectas, cinzentos e azuis, tecnologia industrial, minimalismo. Mas toda esta organização milimétrica, automática e geométrica corre sérios riscos, graças a um "pequeno" elemento destabilizador: o ser humano. Em algumas cenas, o humor é genial.
O mais interessante é que tudo isto nos é apresentado em forma de "postal ilustrado em movimento": não há uma história com princípio, meio, clímax e fim (se descontarmos a chegada, estadia e partida do grupo de turistas); não há personagens-chave; não há close-ups; os diálogos são banais e reduzidos ao ruído de fundo necessário; e tantos outros elementos que fazem de "Play Time" uma obra de arte, não apenas de cinema.

Sem comentários:
Enviar um comentário