quarta-feira, 31 de março de 2010

Disintegration (The Cure, 1989)


Há a música que nos conquista num piscar de olhos. E há a música que fica a "marinar" dentro de nós, até que nos rendemos - seja pela simples lei da repetição, seja pelas memórias que evoca e a carga emocional que transporta.

O meu exemplo de estimação para esta última hipótese era o álbum “Rio”, dos Duran Duran, que a minha irmã tocava incessantemente no gira-discos, tinha ela 12 anitos e eu 6. Na altura, não lhe prestava atenção (pelo contrário, chegava a sentir-me enjoado de o ouvir pela enésima vez), mas só na idade adulta percebi o quanto adoro esse disco.

Hoje acabei de descobrir outro ilustre exemplo: “Disintegration”, dos The Cure.

Se “Rio” é a minha irmã, “Disintegration” é a minha melhor amiga J. As noites na casa da Praça de Espanha, as horas mortas na universidade, os fins-de-semana em Benavente, as tardes de Sábado em Londres, as sessões de limpeza no Solar do Duque, as festas, as reuniões de amigos... este álbum está lá, em todas estas memórias. Ouvi-lo é recordar cada uma delas, com um enorme sorriso no espírito.

E porque é o Álbum de Família desta semana, tive a oportunidade de ouvi-lo com a merecida atenção. Escrito em 1989, no rescaldo de uma depressão que Robert Smith sofreu, após a banda ter experimentado a vertigem do sucesso com "Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me" (1987), "Disintegration" marcou o regresso ao lado mais negro dos The Cure.

Não sendo conhecedor exímio da obra desta banda, muito menos do universo gótico, arrisco-me a afirmar que "Disintegration" será um dos seus maiores paradigmas. É melancólico, sombrio e profundamente belo.

Agradeço à Radar, que o escolheu para Álbum de Família desta semana. E agradeço à J, por ter sido a primeira pessoa a alargar os meus horizontes musicais.

Fim-de-semana em Albufeira: welcome Spring!

A caminho do Sul: verde raro no Alentejo.
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Crepúsculo a 2.

Saímos de casa e é isto que se vê...

Praia da Oura. Fosse o Algarve assim no Verão...

O regresso, cá em baixo.

O regresso, lá em cima.

Para o Piriquito

quinta-feira, 25 de março de 2010

Alice in Wonderland


Há 1 ano que esperávamos por este filme. Em vez de reproduzir a história original, Tim Burton optou por trazer algo de novo e lançar a pergunta: «como seria se Alice voltasse ao País das Maravilhas, já mulher feita?». E desta maneira, abriu-se a porta para o exercício "burtonesco": a Wonderland de Carroll transforma-se aqui na Underland, lugar semi-abandonado e sombrio. Alice cresceu e perdeu a sua "muchness", outros personagens ganharam traumas, graças ao terrível reinado da Rainha de Copas.

O balanço final é positivo, mas confesso que teria preferido a recriação da Wonderland, em vez da sua reinvenção na Underland. Gostei do filme, mas não adorei. Entreteve, mas não marcou.

Há uns anos atrás, o estilo Tim Burton era algo novo e excitante. Hoje, e muto devido à sobrecarga do cinema fantástico (que, na minha opinião, devia ser posto na prateleira por uns tempos), já dificilmente consegue surpreender. Penso em “Sleepy Hollow” como um filme inesquecível, não tanto pelos efeitos especiais mirabolantes, mas pela atmosfera que Burton conseguiu criar, de forma magistral.

Em “Alice”, o que marca mesmo é a interpretação de Helena Bonham Carter, dando corpo (e cabeça) a uma Rainha de Copas perfeita. Na minha opinião, ultrapassou mesmo Johnny Depp.

E depois, o maldito 3D. Não queria ver o filme em 3D, mas por malinformação de um site que consultámos (uma sessão normal de Domingo à noite, queríamos nós), acabámos por levar com a surpresa. Já há dias que a ida estava planeada, por isso lá entrámos. E ao fim de 5 minutos de filme, foi o choque: a imagem ganhava profundidade, mas perdia luminosidade e cor! Tive vontade de sair da sala de cinema, pedir o dinheiro de volta e esperar por outro dia, para uma sessão normal. Ainda vi algumas cenas sem os óculos, na tentativa de resgatar as belíssimas cores do filme, mas a imagem desfocada tornava a tarefa penosa. De volta ao 3D, no momento em que Alice aterra na Underland, depois de cair pelo buraco, há momentos em que simplesmente não se vê nada. Veredicto: a não repetir.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Moda Lisboa

A vista

A vista da minha janela, num Sábado de manhã pré-primaveril.
Uma das primeiras fotos na Pentax, uma das coisas que sempre quis fotografar. Ei-la.

O presente

Era algo que queria ter há muito tempo, mas que era constantemente adiado pelos números no saldo bancário.

Por muitas vezes desejei que uma máquina fotográfica se materializasse nas minhas mãos, para captar um momento, uma pessoa, um detalhe, uma sensação.

E de uma maneira totalmente inesperada, recebi-a como presente do Piriquito. E graças a ele, dou início a um novo projecto, sem data limite.


quarta-feira, 17 de março de 2010

Conversa

Batata - Queres uma pastilha? (puxando da nova sua caixinha, totalmente maricas, de Trident Senses.)
Piriquito - Eh lá, estamos bem na vida!
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terça-feira, 16 de março de 2010

Yes, they can dance!

















So You Think You Can Dance

Estou totalmente viciado. "So You Think You Can Dance" é um programa de TV na linha dos concursos de talentos, criado pelo mesmo produtor de "American Idol".
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Mas este é bem, bem diferente. O enxovalhanço dá lugar à crítica construtiva. A vontade de ser famoso dá lugar à dedicação, de corpo e alma, a uma arte. O sensacionalismo dá lugar ao profissionalismo.

Foi isto que me conquistou neste programa: a seriedade e a paixão com que concorrentes e júri vivem a Dança. E depois, temos a produção - surpreendente. Isto é televisão de qualidade.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Heligoland (Massive Attack, 2010)


Há 7 anos que não os ouvíamos. E há 12 que não os encontrávamos no seu estado de graça. A opinião parece ser consensual: "Mezzanine" (1998) foi mesmo o último grande álbum do grupo de Bristol. "100th Window" (2003) foi morno e monótono. E assim dávamos os Massive Attack como desaparecidos.

Agora, ressurgem com um novo álbum de originais. E suspira-se de alívio: ressurge também a capacidade de fazer boa música.
"Heligoland" recupera os ambientes sombrios de Mezzanine e trá-los para 2010. Às electrónicas juntam-se guitarras, baterias, trompetes e violinos, conferindo maior realismo e fisicalidade à música. Foram-se as divagações de 7 minutos, voltam as canções que contam histórias, que evocam imagens, cenários e personagens. Ouve-se o álbum inteiro com vontade de descobri-lo mais e mais. E suspira-se de alívio, por termos os Massive de volta.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Single Man


Faltava ainda falar sobre "A Single Man". Todos conhecem-no como o filme de Tom Ford, o nome por detrás da marca Gucci. Foi, sem dúvida, factor que despertou a curiosidade de muitos: poderia um designer de moda transpôr a sua visão para a linguagem de cinema, enquanto realizador?

Na minha opinião, Ford passou o teste - e muito bem. Naturalmente, o factor estético desempenha um papel fundamental na narração da história de "A Single Man". Nessa estética, reconhece-se a linguagem de Ford: o guarda-roupa, os cenários, a própria dinâmica das acções, tudo parece uma produção de moda.

O que não estaria garantido, à partida, era a riqueza cinematográfica. Mais que um simples ensaio à estética dos anos 60, "A Single Man" é um filme que explora estados interiores e a percepção do mundo exterior, por alguém que decide viver o seu último dia de vida. Aproxima-se muito de "American Beauty", pela forma como explora essa interioridade - entre a percepção do real e a fantasia da mente. Sempre com a estética a servir de leme. E claro, com as interpretações magníficas de Julianne Moore e Colin Firth.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Converter a ansiedade em entusiasmo

Como já é habitual nos dias que antecedem cada seminário do curso de Yoga, estou numa corrida contra o tempo. Tenho ainda muita coisa para preparar e só tenho algumas horas até Domingo. Acordei ansioso, como seria de esperar. Mas não seria de esperar a decisão que tomei: converter esta ansiedade em entusiasmo.

Por vezes ficamos presos aos micro-problemas que surgem com as macro-decisões que tomamos, mesmo quando estas são o caminho para a realização de um projecto que nos apaixona.

No caso presente, as tarefas que ainda tenho pela frente (e que terão que caber nas tais poucas horas) são pontos a somar para o grande objectivo que é ser instrutor de Yoga. E cada uma dessas tarefas contém 2 polaridades. De um lado, há o desafio que representam - e o stress inevitável que daí se gera. De outro, há todo o valor que têm, todo o interesse e fascínio que suscitam.

Escolho fixar-me no valor essencial das coisas e não nos medos que podem despertar. E pensar num tempo não muito distante, em que estarei a transmitir este Conhecimento aos outros.

E a ansiedade dá lugar ao entusiasmo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A surpresa

Se ontem o Rescue ajudou a acalmar os nervos, a surpresa que tive à meia-noite encheu-me de alegria.

Estava eu afundado em apontamentos e slides de Power Point para a apresentação de Domingo, quando - para grande susto meu - a campainha de casa tocou: o Piriquito decidiu fazer-me uma surpresa e apareceu à minha porta.

Melhor que o Rescue, é mesmo a sensação de acordarmos felizes. Como hoje.

To the Rescue!

Estou naqueles dias em que a ansiedade toma conta de tudo: no próximo Domingo tenho maia um seminário de Yoga. Desta vez vai doer, pois tenho que fazer uma apresentação oral de um trabalho teórico.

Ontem o corpo já começou a dar sinais, com umas cólicas terríveis. Decidi parar de me armar em valente e fui ao Celeiro comprar Rescue.

Há anos que conheço esta essência, destinada para casos de emergência (ataques de ansiedade, pânico ou qualquer disparo do sistema nervoso), mas nunca tinha tomado - sempre achei que devia passar pelas coisas "a seco". Ontem pus os masoquismos de lado e enfiei 4 gotas pela goela abaixo.

E foi impressionante: passados uns minutos, deixei de sentir as cólicas e os calafrios na barriga.
Acho que no Sábado vou fazer uma canja de Rescue...
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