Aqui, vi realizar-se o sonho de adolescente: viver no centro de Lisboa, cidade onde nasci.
Lembro-me de encher o peito de orgulho, quando dizia que vivia entre o Rossio e o Largo do Carmo.

Estava tudo a 5 passos de distância: a Baixa, o Chiado, o Príncipe Real, o Bairro Alto, a Avenida, o local de trabalho, os cafés, as lojas, a vibração que não se encontra em mais lado algum.
Fui um privilegiado, essa é que é essa.
Mas tudo tem o seu timing. E viver no centro de tudo pode privar-nos de certas coisas que vão ganhando importância, com o passar do tempo. Uma delas é o silêncio e a quietude. E isso é difícil de encontrar, quando se vive na Baixa.
Por isso, é tempo de partir e procurar um novo chão onde criar raízes.Esta tarde será a última tarde no 4º andar do nº1 da Rua do Duque. Sinto-me melancólico, porque custa dizer adeus.
Mas ao dizer adeus, estou a dar um novo impulso à grande Roda, que agora começa a mudar de direcção.
E uma coisa é certa: Lisboa será sempre minha.




