segunda-feira, 28 de julho de 2008

Adeus, Rua do Duque

A Rua do Duque foi a minha morada, nos últimos 2 anos e 8 meses da minha vida.

Aqui, vi realizar-se o sonho de adolescente: viver no centro de Lisboa, cidade onde nasci.
Lembro-me de encher o peito de orgulho, quando dizia que vivia entre o Rossio e o Largo do Carmo.

Estava tudo a 5 passos de distância: a Baixa, o Chiado, o Príncipe Real, o Bairro Alto, a Avenida, o local de trabalho, os cafés, as lojas, a vibração que não se encontra em mais lado algum.
Fui um privilegiado, essa é que é essa.

Mas tudo tem o seu timing. E viver no centro de tudo pode privar-nos de certas coisas que vão ganhando importância, com o passar do tempo. Uma delas é o silêncio e a quietude. E isso é difícil de encontrar, quando se vive na Baixa.

Por isso, é tempo de partir e procurar um novo chão onde criar raízes.

Esta tarde será a última tarde no 4º andar do nº1 da Rua do Duque. Sinto-me melancólico, porque custa dizer adeus.

Mas ao dizer adeus, estou a dar um novo impulso à grande Roda, que agora começa a mudar de direcção.

E uma coisa é certa: Lisboa será sempre minha.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Palavras certeiras

O nosso grupo de trabalhadores da luz decidiu, na última reunião de Domingo, abrir uma via de comunicação por email.
Para a mensagem inaugural, foi escolhido um poema. Ao lê-lo, senti com um arrepio que Alguém estava a falar directamente para mim:

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou contruir um castelo...

Obrigado Susana, pela escolha tão certeira!

sábado, 19 de julho de 2008

Tempos de mudança...

... no sentido literal do termo.

Este é o último mês que o trio maravilha ocupa o Solar do Duque. A casa está em estado de sítio, entre estantes vazias, sacos a abarrotar de coisas e caixas de cartão. E já demos início à transferência dos "belongings" para a nova casa dos meninos.

Restam-nos pouco mais de 10 dias para nos despedirmos do Largo do Carmo. Os sentimentos são muitos.

Menos um na lista

Tenho uma pequena lista de coisas que não quero deixar de fazer nesta encarnação.

Nela figuram acções como andar a cavalo, tocar piano ou ingerir hélio para falar com a voz à Tico e Teco (ou, numa versão mais actualizada, à Floribella Alternativa).

Pois a lista está agora uma pouco mais reduzida, graças ao casamento da Margarida, faz hoje uma semana.

A cerimónia do copo de água foi num local lindíssimo, cheio de ar puro e mesmo aqui à mão: a Tapada da Ajuda.

A decoração do antigo palacete de enormes vidraças fazia juz à ocasião: os brancos, verdes-lima e rosas-fuschia davam a entender que estávamos num casamento de Verão. E porque havia muitas crianças, havia balões suspensos em ramos, por toda a sala.

Foi então que, no momento em que nos sentámos na mesa, enquanto desapertava a camisa e a gravata, olhei para os balões e entendi que tinha chegado o momento. Estavam mesmo ali à mão! E tinha o Mikey para testemunhar! Passei-lhe a informação e ele não hesitou: pegou num balão, ingeriu um pouco do ar e falou. A gargalhada foi geral: parecia que o espírito de um elfo lhe tinha descido, por alguns segundos!

Era a minha vez de o fazer!!! Para o momento solene, depois de um tímido "Olá", inspirei-me numa das deixas da Floribella Alternativa e proferi: "Oh Frederico, vais dar-me com um jornal enrolado no lombo?". Só visto.

Depois desta, posso dizer que estou ainda mais próximo da total realização.

Les Chansons D'Amour

De um grande filme clássico para um grande filme contemporâ-
neo.

Foi com "Les Chansons D'Amour" que, esta 4ª feira, iniciámos o ciclo "Um Ano de Cinema(s)" do Nimas - uma iniciativa de se tirar o chapéu.

Realizado em 2007 por Christophe Honoré, "Les Chansons D'Amour" é isso mesmo: uma história sobre o Amor, contada em canções. Mas o que torna este filme tão especial é o facto de conseguir levar o género musical para um novo nível. Quem disse que os musicais têm de ser super-produções a efervescer de cor, figurantes, coreografias sumptuosas e poses teatrais?

Este é um filme low-budget cuja história, decorrida na Paris dos dias de hoje, retrata o Amor de uma forma tão hiper-realista quanto completa: o Amor a dois e a três; o Amor entre sexos opostos e sexos idênticos; o Amor impetuoso e o Amor profundo; o Amor entre amigos, entre amantes, entre familiares; o Amor na presença e na ausência.

Tudo isto é enaltecido pelas interpretações cativantes de uma nova geração de actores franceses, pela ousadia do argumento e por uma banda sonora simplesmente brilhante. Para além de tudo isto, há também Chiara Mastroianni.

A sinopse promocional classifica um dos momentos altos do filme como "a melhor cena numa varanda desde Romeu e Julieta". Concordo plenamente.

Fica aqui uma certeza: há muito que não via um filme tão arrebatador.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

The Color Purple

Há já um bom tempo que me queixo da televisão por, entre outras coisas, ter acabado com a tradição de exibir os chamados "grandes filmes de sempre". Qualquer pessoa acima dos 30 tem a memória de ver bom cinema (digo bom, mesmo) na televisão. Tempos idos, em que este medium prendia-se menos às receitas e mais à qualidade.

Mas, numa noite de Sábado, fui surpreendido: a RTP 2 exibiu "The Color Purple", filme incontornavelmente "grande".

Lembro-me de ser miúdo e, numa das tais noites de bom cinema na TV, ter visto um pedaço do filme - a impressionante cena de separação das irmãs, Celie e Nettie - que me deixou um nó na garganta. Não consegui ver mais, talvez por sentir que não tinha estofo para aguentar 1 hora e tal de drama com aquele calibre.

Décadas depois, surge a oportunidade de ver o filme na íntegra, com o Mikey, no conforto de casa - ainda a ressacarmos da noitada de 6ª feira.

Realizado em 1983 por Steven Spielberg, "The Color Purple" é uma obra magistral que levanta o véu a uma vergonha tão entranhada na nossa história, como a da discriminação.

As personagens de Woopi Goldberg e Oprah Winfrey são centrais no filme, ao representarem tantas formas diferentes de abuso, de que se pode ser alvo: por serem mulheres, por serem afro-americanas, por serem pobres, por não se encaixarem em padrões convencionais de beleza, por viverem no seio de uma sociedade ainda mergulhada numa mentalidade primária, como era a do Sul dos EUA, no início do século XX.

Os anos em cima deste pêlo não impediram que mais nós se formassem na garganta, em vários momentos do filme. Em contraste, "The Color Purple" oferece momentos profundamente comoventes, bem como uma das frases mais memoráveis da história do cinema:

"I'm poor, black, I might even be ugly, but dear God, I'm here. I'm here!"

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Gratidão

É o que sinto quando penso nos amigos que tenho. São poucos mas muito, muito valiosos.

Muitas vezes não consigo chegar até eles e abrir o coração por completo, contar-lhes o que me vai na alma. Há uma camada qualquer que me impede de deitar as emoções cá para fora. Até um iridologista encontra este traço na minha íris. Felizmente, é apenas um traço de personalidade, não define quem realmente sou e quem realmente posso ser. Pode ser trabalhado, alterado.

Neste trabalho, entram as pessoas que me querem bem e a quem eu quero bem. Entra uma linguagem paralela, não verbal, através da qual se captam as emoções que vou silenciando. Porque nos conhecemos como a família se conhece.

E mesmo que não consiga exteriorizar os "demónios", a simples presença dos meus amigos faz-me sentir querido e acompanhado, tornando a jornada menos difícil. Como se, no meio de uma travessia no deserto, debaixo de um sol abrasador, houvesse uma sombra para descansar e refrescar a mente, o corpo, as ideias... e a vontade de continuar a viagem.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Vir acima

Na 6ª feira à noite desabei.
A semana difícil nas relações (de trabalho e pessoais), a embrulhada do telemóvel que continuou a arrastar-se, a mudança de casa cada vez mais perto, o esforço em não dar importância a nada disto... tudo acabou por me derrubar por inteiro. E caí estatelado.

Aceitei a mão do Mikey, a custo - faltavam-me as forças. Mas deixei-me guiar por ele e pela hipótese de limpar a mente, por uma noite.

Uns instantes depois, estávamos no Bairro Alto, na companhia de pessoas com "boa onda", bebemos caipirinhas XXL (servidas em baldes, entenda-se), ficámos ébrios, rimos, fomos dançar e caímos na cama às 6 da manhã, já de dia.

Longe das minhas previsões, diverti-me. E mesmo com 5 horas de sono em cima, acordei no dia seguinte a sentir a luz e o ar fresco de quem chega à superfície.

Mais uma vez, vou aprendendo a mudar o que vai por dentro, independentemente do que vai lá fora.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Vai aonde te leva o coração

Segui o coração e nada mais que o coração.
Levou-me até ti
E a uma noite tão nossa.

Um passeio a pé pela cidade,
Fios de conversas,
A luz acesa, para olhar nos teus olhos.

Sigo o coração.
Leva-me até ti
E a um tempo tão nosso.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Encontrar-me no Nada

Por 15 minutos, fecho os olhos e não penso.
Chego ao Nada para encontrar Tudo o que Eu Sou.