Há já um bom tempo que me queixo da televisão por, entre outras coisas, ter acabado com a tradição de exibir os chamados "grandes filmes de sempre". Qualquer pessoa acima dos 30 tem a memória de ver bom cinema (digo bom, mesmo) na televisão. Tempos idos, em que este medium prendia-se menos às receitas e mais à qualidade.Mas, numa noite de Sábado, fui surpreendido: a RTP 2 exibiu "The Color Purple", filme incontornavelmente "grande".
Lembro-me de ser miúdo e, numa das tais noites de bom cinema na TV, ter visto um pedaço do filme - a impressionante cena de separação das irmãs, Celie e Nettie - que me deixou um nó na garganta. Não consegui ver mais, talvez por sentir que não tinha estofo para aguentar 1 hora e tal de drama com aquele calibre.
Lembro-me de ser miúdo e, numa das tais noites de bom cinema na TV, ter visto um pedaço do filme - a impressionante cena de separação das irmãs, Celie e Nettie - que me deixou um nó na garganta. Não consegui ver mais, talvez por sentir que não tinha estofo para aguentar 1 hora e tal de drama com aquele calibre.
Décadas depois, surge a oportunidade de ver o filme na íntegra, com o Mikey, no conforto de casa - ainda a ressacarmos da noitada de 6ª feira.
Realizado em 1983 por Steven Spielberg, "The Color Purple" é uma obra magistral que levanta o véu a uma vergonha tão entranhada na nossa história, como a da discriminação.
As personagens de Woopi Goldberg e Oprah Winfrey são centrais no filme, ao representarem tantas formas diferentes de abuso, de que se pode ser alvo: por serem mulheres, por serem afro-americanas, por serem pobres, por não se encaixarem em padrões convencionais de beleza, por viverem no seio de uma sociedade ainda mergulhada numa mentalidade primária, como era a do Sul dos EUA, no início do século XX.
Os anos em cima deste pêlo não impediram que mais nós se formassem na garganta, em vários momentos do filme. Em contraste, "The Color Purple" oferece momentos profundamente comoventes, bem como uma das frases mais memoráveis da história do cinema:
"I'm poor, black, I might even be ugly, but dear God, I'm here. I'm here!"

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