terça-feira, 30 de setembro de 2008

Descobertas

É tão bom quando somos surpreendidos com uma nova descoberta sobre os nossos próprios gostos pessoais.
A bela tarde de Domingo que passei com o Piriquito trouxe-me uma dessas surpresas.

Foi no Centro de Arte Moderna, da Gulbenkian. O museu e os belíssimos jardins foram mais que suficientes para que o passeio tivesse valido a pena.
Mas foi dentro do CAM, enquanto percorríamos as galerias, que dei por mim a sentir-me particularmente atraído por uma ala específica: a da pintura modernista portuguesa, datada da primeira metade do século XX.

Começou pelos retratos, onde conheci a mestria de Jorge Barradas, Lino António, Armando Basto, Sarah Afonso e António Soares, que tão bem recriam a atmosfera estética dos anos 20 e 30.
nm

António Soares, Natacha, 1928


Continuou no retrato de Fernado Pessoa por Almada Negreiros, uma imagem icónica, ainda mais poderosa quando vista em presença - não imaginava que fosse de tão grande dimensão.

Almada Negreiros, Retrato do Poeta Fernando Pessoa, 1954


Culminou na série de obras de Amadeo de Souza-Cardoso, cuja genialidade simplesmente me abalroou.

Amadeo de Souza-Cardoso, Sem Título (Brut 300 TSF), 1917 (pormenor)


Foi então que surgiu a tal descoberta, que foi não mais do que somar 2 mais 2: já gostava da estética Art-Nouveau, de Lempicka, do Almada, da carta de bebidas do Pavilhão Chinês.
Com a estranha acção magnética que senti no CAM este Domingo, percebi o óbvio: que nutro um profundo interesse por todo um movimento artístico de vanguarda nascido nos anos 10 e que percorreu as décadas seguintes, designado por Modernismo.

Um admirável mundo novo a descobrir.

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