
E se, de repente, todos nós ficássemos cegos, devido a uma estranha epidemia? E se apenas uma pessoa ficasse imune?
É este o ponto de partida de “Blindness”, o filme de Fernando Meirelles baseado na obra “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago.
A história de “Blindness” é, acima de tudo, uma metáfora sobre o comportamento humano e sua evolução: a cegueira súbita obriga os personagens a sofrer processos radicais de readaptação, a começar do zero e aprender tudo de novo. Com eles, mergulhamos no caos, no Inferno de Dante, que aqui nos é mostrado de uma forma perturbadora - estive quase para abandonar a sala.
Mas, ao contrário de outros filmes cujo propósito é apenas o de explorar os limites da Escuridão no ser humano (filmes que alegremente evito), “Blindness” mostra também o outro pólo da nossa dualidade. Revela-nos a dimensão de Luz que carregamos e que faz de nós os nossos próprios salvadores.
Fica a marca de um filme genuinamente filosófico e que nos oferece Julianne Moore numa interpretação magnífica.