O teu amor espreita o meu corpo de longe.
De longe, por gestos, lhe respondo.
Tenho raízes nos vulcões, ternuras íntimas, medos reclusos, beijos nos dentes.
Com a precaução de quem tem flores fechadas no peito
passeei de noite pela casa.
Um fantasma forçou uma porta atrás de mim.
Gemendo como um animal estrangulado acordei-te.
Enterro o meu terror como um alfange na terra.
Porque é preciso ter medo bastante para correr bastante toda a casa,
celebrar bastantes missas negras,
atravessar bastante todas as ruas com demónios privados nas esquinas.
Só o amor tem uma voz e um gesto,
mesmo no rosto da ideia que me impus da morte.
És tu tão único como a noite é um astro.
Sobre a poeira que te cobre o peito
deixo o meu cartão de visita, o meu nome, profissão, morada, telefone.
Excerto de Dificil Poema de Amor, de Luiza Neto Jorge, editado e emprestado pelo Silvestre.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
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