O que significa que, a passar por todos os trâmites formais com sucesso (votação na Assembleia, aprovação do Presidente da República), esta lei fará história em Portugal. O país onde nasci e onde vivo passará a ser teoricamente evoluído, naquilo que o conceito de evolução, a meu ver, encerra: o respeito pelas liberdades e direitos fundamentais do ser humano.
Mas digo bem: teoricamente. Pois na prática, ainda estamos a léguas. A léguas. Pois os media são o espelho da sociedade e hoje, os media portugueses lidaram com esta notícia - que é assim "um bocadinho" importante - de uma forma lamentável. Na minha opinião, entenda-se.
Nos jornais, na rádio e na televisão, o tratamento foi unânime:
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Casamento "gay" aprovado em Conselho de Ministros
Casamento "gay" aprovado em Conselho de Ministros
O Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros, a proposta de lei sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo, mas o tema da adopção ficou fora do debate.
A proposta de lei que permite a união entre pessoas do mesmo sexo foi aprovada, hoje, em Conselho de Ministros, ficando de fora a lei da adopção para casais homossexuais. "A lei da adopção não é alterada com esta iniciativa", explicou hoje aos jornalistas o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira.
"A adopção não consiste a satisfazer um direito dos adoptantes", concluiu o ministro da Presidência.
Na quarta-feira, no final de uma sessão pública de assinatura de protocolos dos projectos do Programa Escolhas, Pedro Silva Pereira confirmou que a proposta do Governo sobre o casamento homossexual estava agendada para a reunião de Conselho de Ministros de hoje e que até ao final do ano será entregue no Parlamento.
Lembrando que o programa eleitoral do PS não fazia referência à adopção por casais homossexuais, o ministro sublinhou que "o Governo está disposto a cumprir o programa, que diz respeito apenas a remover obstáculos" à legalização do casamento homossexual, não especificando se a proposta que será aprovada proibirá expressamente a adopção.
A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo é um objectivo que une a esquerda parlamentar, mas o consenso acaba perante a possibilidade de a maioria PS impedir a possibilidade de adopção.
Quanto à possibilidade de casais homossexuais adoptarem, o BE é favorável, o PEV quer abrir caminho à discussão mas admite que não se legisle para já e o PCP mantém as reservas que tinha na passada legislatura. Contra a legalização dos casamentos entre homossexuais e contra a possibilidade de adopção, PSD e CDS-PP já sugeriram a criação de um instituto jurídico diferente que consagre aos casais do mesmo sexo alguns dos direitos e deveres decorrentes da figura do casamento.
A proposta de lei que permite a união entre pessoas do mesmo sexo foi aprovada, hoje, em Conselho de Ministros, ficando de fora a lei da adopção para casais homossexuais. "A lei da adopção não é alterada com esta iniciativa", explicou hoje aos jornalistas o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira.
"A adopção não consiste a satisfazer um direito dos adoptantes", concluiu o ministro da Presidência.
Na quarta-feira, no final de uma sessão pública de assinatura de protocolos dos projectos do Programa Escolhas, Pedro Silva Pereira confirmou que a proposta do Governo sobre o casamento homossexual estava agendada para a reunião de Conselho de Ministros de hoje e que até ao final do ano será entregue no Parlamento.
Lembrando que o programa eleitoral do PS não fazia referência à adopção por casais homossexuais, o ministro sublinhou que "o Governo está disposto a cumprir o programa, que diz respeito apenas a remover obstáculos" à legalização do casamento homossexual, não especificando se a proposta que será aprovada proibirá expressamente a adopção.
A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo é um objectivo que une a esquerda parlamentar, mas o consenso acaba perante a possibilidade de a maioria PS impedir a possibilidade de adopção.
Quanto à possibilidade de casais homossexuais adoptarem, o BE é favorável, o PEV quer abrir caminho à discussão mas admite que não se legisle para já e o PCP mantém as reservas que tinha na passada legislatura. Contra a legalização dos casamentos entre homossexuais e contra a possibilidade de adopção, PSD e CDS-PP já sugeriram a criação de um instituto jurídico diferente que consagre aos casais do mesmo sexo alguns dos direitos e deveres decorrentes da figura do casamento.
Disse o DN e disseram tantos outros. Em cada frase sobre o casamento, uma frase sobre a adopção. O que é o mesmo que reforçar um só pensamento ignorante e mesquinho:
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«Eles agora podem casar. Mas descansem: não podem adoptar crianças. Isso é que não. Nada de pôr as crianças ao barulho, que as crianças podem ficar perturbadas, coitadinhas, nas mãos dessa gente esquisita.»
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Não é que eu ache que os portugueses tenham a capacidade de dar 2 passos em frente nesta matéria, logo ao mesmo tempo. Mas acho mesmo que o papel da imprensa deveria ser educar as pessoas, não vender. E educar as pessoas nesta matéria é informar que qualquer cidadão português passará a ter o direito a casar. Ponto final.
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Prometo esforçar-me para pensar numa coisa só: estamos a um passo de fazer história enquanto país evoluído. Pelo menos em teoria...
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1 comentário:
Meu anjo, não querendo minimizar a tua desilusão da discrepância entre a teoria e a prática, deixo-te aqui mais um dos exemplos onde ela existe. Aqui há dias estava numa aula de "sociologia" e falávamos sobre a lei da educação, ao que o professor dizia que Portugal tem das melhores leis da Europa. E é verdade, nós até sabemos legislar alguma coisinha, mas depois a prática... é que não se cumpre. Que esta lei sirva para começar a mudar mentalidades. Menos mal. Baby-steps para vocês, para a educação, enfim, para todos nós. Shame on us... (resignada)
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