quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Manuel

Manuel nasceu no seio de uma família diferente das outras.
Queria estudar e seguir carreira na Marinha. Tinha 18 anos quando o pai e o irmão foram assassinados, mesmo à sua frente.
Viu-se forçado a assumir um cargo de liderança para o qual não estava preparado.
Aos 20 anos, quando finalmente aprendera a abraçar a sua nova condição, viu-se forçado a abandonar o seu País.
Viveu o resto da sua vida em Twickenham, nos arredores de Londres.
Faleceu inesperadamente na sua residência, com 43 anos, sufocado por um edema da glote.

Porque estamos a comemorar os 100 anos da República, a RTP tem transmitido vários (e bons) documentários sobre este que é um dos grandes momentos da História de Portugal. O de ontem era dedicado a D. Manuel II, o 35º e último Rei de Portugal.

Foi-nos dado a conhecer não só o monarca, mas o homem cuja vida acabaria por traduzir-se numa sucessão de sonhos e projectos interrompidos. Primeiro, as apirações da adolescência. Depois, o próprio País. Mas a única coisa que Manuel conservou intacta foi a profunda paixão por Portugal.

Em Inglaterra, era um homem querido e admirado pela comunidade. E todos sabiam da sua adoração pela terra natal: recriou um ambiente português na sua casa; dedicou-se ao estudo da literatura medieval e renascentista portuguesa; seguiu de perto a política portuguesa; ficou encantado pelo facto de poder ajudar o seu país na liquidação da dívida à Inglaterra - a pedido do ministro dos negócios estrangeiros da república; no testamento, deixou os seus bens pessoais ao Estado Português e manifestou a vontade de ser sepultado em Portugal.

Fiquei comovido com a história deste jovem adulto, que terá convivido, na maior parte da sua curta vida, com a mágoa e a Saudade. O seu último desejo foi cumprido: Manuel, o nosso último Rei, regressou finalmente a Portugal, para ser sepultado junto do pai e do irmão.


2 comentários:

silvestre disse...

:-) boa humanização da figura

Rui Clemente disse...

foi isso que gostei no tal documentário: a sua humanização. tive vontade de poder dar-lhe um abraço :)