Há filmes cuja densidade dramática atinge dimensões chocantes. Confesso que não reajo muito bem a esta tipologia de obras, simplesmente porque não gosto de sair da sala de cinema (ou do sofá) com a sensação de que levei um murro no estômago. Pior ainda, se o murro for gratuito, sem sentido aparente.Mas há filmes deste tipo que, embora dando golpes certeiros, me acrescentam algo. "In The Valley of Elah" é, sem dúvida, o mais recente exemplo.
A história gira em torno do desaparecimento de um jovem soldado norte-americano, destacado para a guerra no Iraque, e da busca do seu paradeiro por parte do pai (interpretado por Tommy Lee Jones), ele próprio um veterano de guerra.
O filme irá então evoluir para outro plano: à medida que a acção se desenrola, é-nos mostrado um diagnóstico da nação norte-americana dos dias de hoje, no que tem de mais assustador, tão assustador quanto verosímil: as consequências da guerra em duas gerações ainda vivas (Vietname e Iraque); o culto da violência; o tráfego de droga; a exploração sexual; o chauvinismo; a xenofobia...
Olhamos para esta fotografia e vemos uma nação doente, descontrolada, viciada, paranóica, perversa. Mas cada vez mais consciente de si própria e de que precisa de ser salva.
Saí do cinema a pensar no rumo que a Humanidade traçou até aqui chegar. Cheguei mesmo a perguntar "o que foi que nós fizemos?".
Mas agora, de cabeça fria, opto por pensar que estes são tempos em que a Escuridão está cada vez mais visível, porque a quantidade de Luz que nos vai envolvendo assim o faz: põe-na a descoberto.
A Luz está a crescer, portanto. É nisto que acredito.

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