domingo, 17 de fevereiro de 2008

Regressar a casa

Ontem foi o dia em que finalmente me reencontrei com a Valda, a minha eterna "sista". Já tinha perdido a conta do tempo que tinha passado sem estarmos juntos.

Conheci a Valda em 1990 e 2 anos depois tinha ganho uma verdadeira amizade. Meu Deus, eu tinha 14 anos e ela 20!
Desde então, fomo-nos reconhecendo como "irmãos de alma" que somos. Porque estas coisas reconhecem-se.

As memórias são muitas, dos episódios mais difíceis na vida de cada um, em que o outro esteve presente, aos momentos de alegria incontrolável, às pequenas coisas que só a nós dois pertenceram (os passeios de Sábado à tarde, a cantar canções antigas da Madonna, rua acima e rua abaixo; as conversas até às 4 da manhã, sentados à porta de casa; o café no Abrigo; os brindes de Martini Bianco nos dias de aniversário...).

Inevitavelmente, seguimos os nossos caminhos. Fui para Londres, regressei e mudei-me para Lisboa. Ela viveu em Espanha durante ano e tal. Fomos mantendo contacto por telefone, mas os encontros foram sendo cada vez mais raros. A vida tomou conta de nós.

Ultimamente, dei por mim a falar muito da Valda, a pensar muito nela, a ouvir música que me lembrava ela. Senti que devia seguir os sinais: tinha chegado a altura de voltar a nutrir esta amizade antiga, de torná-la presente.

Estou tão feliz, porque isso aconteceu ontem. Quando nos revemos, demos um abraço tão forte, tão demorado (sem exagero, foram uns 15 minutos de abraço), que deixámos o empregado do café todo emocionado.
Acredite-se ou não, o Universo deu-nos um presente nessa tarde: minutos depois de nos sentarmos, começou a tocar "La Isla Bonita" na rádio que se ouvia lá no café.
Escusado será dizer que foram 3 horas de conversas profundamente emocionadas. Mais do que do passado, falámos do presente de cada um. Estamos mais velhos, mas reconhecemos no outro aquela energia e aquele brilho de há tempos.

Ontem, uma parte de mim regressou a casa.
É tão bom ter-te de volta, querida Valda!

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