segunda-feira, 31 de março de 2008

Horton Hears a Who!

A nova animação da Blue Sky, assinada pela mesma equipa que criou "Ice Age" (e uma das minhas personagens de eleição, o nervoso Scrat), traz-nos a história do elefante Horton, que por acidente, descobre todo um mundo de pequenos seres a habitar num grão de pó que flutua pelo ar.

Mas "Horton Hears a Who!" não é apenas um filme para crianças; também um adulto encontra pontes interessantes entre esta fantasia e a nossa realidade, ao reconhecer estados tão familiares como a intolerância ou o preconceito.

Chamo-lhe interessantes porque, enquanto que outras fábulas do género abordam estes temas usando sempre as mesmas fórmulas, a história de Horton vem enriquecida com alegorias a momentos da nossa História que tão bem os ilustram. Lembrei-me de personalidades cuja visão pioneira e "subversiva" desafiaram a ordem imposta pela Igreja Católica, por um preço bem elevado; lembrei-me dos sistemas políticos que atentam contra a liberdade individual e o livre pensamento - tão bem representados na figura da mãe-canguru, toda ela conservadora e defensora da ideia de que a imaginação é veneno para a mente.

Lembrei-me também das noites em que, ainda miúdo, perdia o sono a pensar nisso do Universo ser infinito e da Terra ser um grão de areia num vasto oceano de galáxias.

De facto, é tudo uma questão de escalas e dimensões. Afinal, também nós podemos estar a ser carregados na tromba de um qualquer elefante cósmico, que nos queira levar para um lugar seguro; afinal, também a nossa "salvação" do caldeirão com óleo a ferver seja a capacidade de acreditar - em nós próprios, no Grande Elefante e na sua máxima, na qual «uma pessoa é uma pessoa, por mais pequenina que seja».

Dazed & Confused

Com os habituais delays, chegou finalmente a Portugal a edição de Abril da "Dazed & Confused", escolhida para inaugurar a série de cover stories de promoção a "Hard Candy".

Com o subtítulo "An Issue of Reinvention", esta edição conta com um especial de 70 páginas de tributo a Madonna, numa reflexão interessante sobre um legado que inspirou três gerações (até agora) de criadores, nas mais variadas áreas: da música à moda, passando pelo design, a fotografia, as artes plásticas, etc.
E porque a lenda está alive and kicking, eis a entrevista. Fala-se de música e do processo de produção do novo album, fala-se da sua relação com o palco e a performance, fala-se do seu documentário "I Am Because We Are" e dos conceitos de compaixão e responsabilidade, num mundo ainda cheio de feridas abertas:

«The more you know, the more you realise you don't know and the more you cannot turn your back on things. I suppose that's why people generally don't want to know more, because at a soul level they understand that the more they know, the more they have to do. We live in a world full of distractions, so we can pretty much keep ourselves so busy that we don't have to engage... yeah... so, I guess the challenge is to live in the world and enjoy all of the things the world has to offer, including the distractions, but not to be so distracted that you don't notice that there is a world going on around you».

As partidas do corpo

Depois de um fim-de-semana bem passado, acordei com a sensação de ter sido atropelado por um camião: dores musculares, uma pontada de febre e, para tornar a coisa mais interessante, rebentou-me uma herpes no lábio. Serão os ares da Primavera a virar o meu corpo do avesso?

Seja lá o que for, decidi não ir trabalhar. Depois de ir à rua para me abastecer de laranjas, kiwis, paracetamol e do equivalente genérico do Zovirax, vim para casa decidido a aproveitar o dia da melhor maneira possível. E assim será!

sábado, 29 de março de 2008

Primeiros sinais de sucesso...

...vão chegando a uma velocidade diária, fazendo pressentir "4 Minutes" como um hit à escala planetária!


Na 2ª semana de vida do novo single de Madonna, saem os primeiros resultados nas tabelas oficiais mais importantes:
  • A 24 de Março, dia em que o single passa oficialmente a estar disponível para download, "4 Minutes" entra directamente para 7º lugar na tabela oficial do Reino Unido;

  • A 27 de Março, é anunciado que Madonna entrará na 68ª posição da tabela Hot 100 da Billboard... apenas 10 dias depois do seu lançamento nas rádios, ainda sem estar à venda como CD single nas lojas e sem videoclip estreado;

  • No dia seguinte, o single entra para 36º lugar da Global Track Chart, do site Media Traffic, que cobre 75% do mercado musical do planeta.


Também esta semana, mais duas capas são reveladas: a "Q" de Abril e a "Vanity Fair" de Maio. Enquanto que a primeira revela uma nova foto da série "peso-pluma" de Steven Klein, na segunda Madonna alia-se novamente a Steven Meisel (um dos seus maiores fotógrafos de carreira), para criar uma imagem inspirada no futurismo dos princípios do século XX.

Uma capa do calibre que há muito não era publicado, juntando-se às mais emblemáticas dos idos 80 e 90.

Seventh Tree (Goldfrapp)

Sublime, o regresso de Alison Goldfrapp e Will Gregory.
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Lançado no final de Fevereiro, “Seventh Tree” representa o retorno às paisagens etéreas de “Felt Mountain”, album de estreia de um dos projectos musicais mais interessantes do mainstream actual.

Corria o ano de 2000 e os Goldfrapp apresentavam-se ao mundo com uma identidade musical tão própria, desenhada com melodias cinemáticas, misteriosas e elegantes, que a edição de “Black Cherry” (três anos depois), viria a desconcertar muita gente, com um som mais dark, áspero e profundamente erótico. O sucessor, “Supernature” (2005), daria continuidade à energia electro de “Black Cherry”, agora carregada de glamour, feito de glitter e neon.


Com “Seventh Tree”, os Goldfrapp resgatam o calor original, enterrando as mãos no solo e de lá trazendo reminiscências folk e algum psicadelismo dos anos 60 e 70. A experiência erótica dá lugar à experiência sensual de conexão com a Terra e o Cosmos, em tons de celebração pagã. As ambiências electrónicas comungam agora com uma sonoridade mais acústica. Percorrem-se alguns dos caminhos desbravados pelos Cocteau Twins e pelos Zero7. Neste album, procura-se não a vanguarda, mas a transmutação, feita com cunho próprio.

Arrisco-me a dizer que este é um dos albuns mais belos de 2008.

quarta-feira, 26 de março de 2008

The Misfits

Um dos meus filmes favoritos de sempre que, finalmente, faz parte da minha colecção de DVDs, graças à visita à HMV de Londres.
Ontem revi-o, depois de alguns anos, voltando a testemunhar a excelência do cinema americano dos anos 60.

Com argumento de Arthur Miller e tendo Marilyn Monroe, Clark Gable e Montgomery Clift como protagonistas, o filme conta-nos a história de três personagens inadaptadas ao sistema (uma mulher recém-divorciada, um cowboy de meia-idade e um jovem órfão de pai), cujas vidas se cruzam na pequena vila de Reno, no Nevada.

Filmado a preto e branco, The Misfits leva-nos a momentos de beleza e intensidade dramática que só nesta época foi possível produzir - um dos momentos mais belos do filme está no seu climax, na cena de captura de cavalos selvagens, em pleno deserto. A aridez da natureza funcionará como cenário para purgar a desilusão e a solidão, aqui estreitamente relacionadas.
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A prestação de Monroe é impressionante e intensa, tendo-lhe valido um Golden Globe.

Embora não tendo sido um sucesso de bilheteiras à época da sua estreia (corria o ano de 1961), The Misfits viria posteriormente a ganhar estatuto de filme de culto entre os cinéfilos – em parte, talvez, por esta ter sido a última obra que Gable e Monroe viriam a filmar.
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terça-feira, 25 de março de 2008

Definitely, Maybe

Adoro assistir a uma boa comédia romântica de Domingo... mesmo que seja a uma 4ª feira à noite.

Este é um filme que fala sobre os círculos que se podem desenhar no nosso percurso de vida, com as pessoas que vamos conhecendo. Ou melhor, as espirais - pois, no retorno, estamos sempre mais crescidos.

O ingrediente principal é, claro está, o romance, narrado em forma de bedtime story, de um pai para a sua pequena filha. Mas é também uma comédia sobre a passagem para a vida adulta, tendo a Nova York dos anos 90 como pano de fundo - mostrada de forma tão cativante, que apetece mesmo lá viver.

“Definetly, Maybe” mostra-nos como esta passagem pode ser um processo tão cheio de incertezas e erros de cálculo. Mas acima de tudo, e no meio de tudo isso, o Universo vai enviando sinais que, quando bem lidos, podem conduzir-nos ao desejado final feliz.

Sabe mesmo bem, sair da sala de cinema com esta sensação...

segunda-feira, 24 de março de 2008

4 Minutes (Madonna & Justin)

Esperar pela canção que marca o regresso de Madonna em 2008, produzida pelo responsável do meu single pop favorito de 2006 ("Promiscuous", da Nelly Furtado) e cantada em parceria com o detentor de um dos melhores albuns desse mesmo ano ("FutureSex/LoveSounds", de Justin Timberlake), seria esperar por uma dose bem forte de boa música, to say the least.

Depois de uma primeira apresentação em Dezembro último, num concerto de Timbaland, e de alguns leaked clips que cirandaram pela internet há semanas atrás, o single "4 Minutes" viu finalmente a luz do dia, nesta semana que passou, mais precisamente na 2ª feira, dia 17.

Foi na manhã do dia seguinte que o consegui ouvir, inteiro e na perfeição.

"4 Minutes" é isso mesmo: Timbaland, Justin e Madonna, numa colaboração séria de pop, hip-hop e dance.
A chegada do trio faz-se anunciar com acordes ao estilo banda militar, a dominar o tema durante os seus 4 minutos e 4 segundos de duração; uma bass line pujante cruza-se com batidas de sonoridade funky e hip-hop; Madonna e Justin são eles mesmos, interagindo entre a disputa de dois titãs e a cumplicidade de dois superheróis, na urgência de salvar o mundo em 4 minutos, apenas com uma arma: a música.

A registar e sublinhar:
  • No dia do seu lançamento nas rádios norte-americanas, "4 Minutes" é executado 413 vezes, para uma audiência total de 4113 milhões de espectadores;
  • No dia seguinte à estreia, está já em nº 1 no top 7Digital da Europa, como o tema mais ouvido via internet;
  • Dois dias depois, atinge o 1º lugar da tabela britânica de downloads do iTunes, destronando "Mercy", de Duffy;
  • Uma semana depois, na mesma tabela do iTunes, chega a nº 1 na Dinamarca, em França, na Noruega e na Suécia.
A estreia do video está marcada para dia 7 de Abril.

domingo, 23 de março de 2008

Um dia de momentos especiais

Ontem foi um dia de momentos especiais.

A Joana, uma das melhores amigas do Mikey, casou-se com o Alexandre. Ambos foram responsáveis por uma grande alegria que senti, nos tempos mais recentes: fui convidado para o seu casamento, como acompanhante do Mikey.
Quando se inicia um namoro, isto é música para os nossos ouvidos. E nos meus, ela tocou e tocou.
Ver os nossos nomes no envelope do convite; ver-nos sair de casa, tão elegantes, para a cerimónia; estar ao lado dele, a participar num dia tão especial para a Joana...

Foi uma bonita festa. Mas não esperava que esta me reservasse um momento tão maravilhoso: aquele em que o Mikey me disse algo que não me vou esquecer, nunca.

Não foi preciso responder-te com palavras. Mas sim. Vejo o mesmo que tu.

The London Diaries I

Duas semanas depois da grande viagem a Londres, chegam os diários.

Esta foi uma viagem de muitos significados: foi o regresso à cidade onde vivi durante ano e meio, 3 anos depois da última visita; foi a primeira viagem com o Mikey, para lá de Portugal (com sabor a “honeymoon trip” de namoro); foi uma merecida evasão de 5 dias, para puro turismo & lazer!
Mas começemos do princípio, que é mais fácil.

5ª feira, 6 de Março: DAY ONE

Fico sempre nervoso quando viajo de avião. Não tanto pelo voo em si (até me divirto com as descolagens e as aterragens, lembram-me os parques de diversões), mas pelo stress das etapas que nos levam até ao veículo aéreo: os horários do check-in; a sensação de que a mala vai ultrapassar o limite máximo de peso; as longas esperas nas filas, a andar em estranhos ziguezagues; as mil vezes que temos que mostar o passaporte/B.I.; etc.

Esta vez não foi excepção. Logo pela fresquinha, na manhã soalheira de 5ª feira, rumámos de táxi para o aeroporto, eu a sentir aquelas cócegas de ansiedade no estômago, o Mikey numa abençoada descontracção - afinal, íamos perfeitamente a tempo.
Depois de queimarmos uns minutos na tabacaria, a olhar para os jornais do dia e a dar de caras com a própria da Floribela (a Luciana Abreu, entenda-se), embarcámos por volta das 10 da manhã.
As cócegas, teimosas, mantiveram-se ao longo do voo: o regresso a Londres estava mesmo a acontecer! Sentia-me feliz, porque estava sentado ao lado do meu querido Mikey, na nossa primeira viagem de avião em conjunto.


Por volta do meio-dia, o comandante anunciou a descida a Londres. Pela janela, comecei a avistar a famosa paleta de verdes-escuro, castanhos e cinzentos (das casas, das estradas, dos campos), que denunciavam a chegada a Inglaterra.

A recepção não poderia ser mais típica... 10 graus centígrados e céu cinzento.
Primeira surpresa: o aeroporto de Luton estava bem mais catita! Já não era mais aquele terminal manhoso de cargas e descargas; agora, tinha mesmo ar de aeroporto.
Não tão catita foi o trajecto de Luton ao centro de Londres. Já sentados no autocarro-expresso da Green Line, fomos encontrando as filas imensas de casas vitorianas e de habitação social, a desenhar uma paisagem tão fria como o tempo que fazia.
Ao passar por Brent Cross, chamei a atenção do Mikey, apontando uma paragem de autocarro, a que assinalou o começo de tudo (onde eu e o André esperámos pela Nita, ainda meio atordoados com toda aquela sensação de estranheza e medo; onde, dias depois, esperámos pela Joana, para completarmos a equipa).
Uma meia-hora depois, o grau de fotogenia dos edifícios foi aumentando e as primeiras ruas com a azáfama tipicamente londrina foram surgindo, até que, finalmente, o motorista gritou: «MARBLE ARCH!».



E ali estava mesmo: Marble Arch! E o Hyde Park! E Oxford Street! Até que enfim, estávamos em Londres!!! Tudo aquilo me entusiasmou. Já com os pés em solo definitivo e no meio do vaivém de pessoas, percebemos que o frio tinha apertado e a fome também. Decidimos recorrer ao óbvio: fast food, no McDonald´s junto à estação de Bond Street (coitado do Mikey, deram-lhe um hamburger com o ar mais triste e queimado do mundo...).
Percebemos que seria penoso andar pelo centro com as malas atrás, por isso concordámos em rumar a Brockley, à casa do Pedro (e nossa casa emprestada, durante os dias seguintes), para deixar os pertences. Se o corpo o permitisse, voltaríamos ao centro para dar o primeiro passeio, com o primeiro Day Travelcard no bolso.

Daí para a frente, foi um não-parar de reencontros: o metro, com os seus labirintos ordeiros, as carruagens estreitas (não há nada como as de Lisboa) e o «Mind the Gap»; a estação de London Bridge, com as lojinhas de comida tão yummy, os headlines dos jornais espalhados aqui e ali, os painéis electrónicos a anunciar os próximos comboios; o percurso para casa, com a Londres menos glamourosa do outro lado da janela e a voz do senhor na gravação, a anunciar «Brockley, this is Brockley».


No minuto em que pusemos o pé em Brockley, um aperto no peito apanhou-me de surpresa. Ali estava, debaixo do céu cinzento, a localidade que eu chamei de casa, num passado não tão distante. Em alguns segundos, passaram-me pela cabeça os inúmeros momentos em que chegava a Brockley, vindo da faculdade ou do trabalho, a sentir tristeza, cansaço, frio e saudades de casa. Voltando ao presente, mandei os pensamentos para o espaço e disfrutei do momento. Estava tudo lá: o pub local (The Brockley Barge), a parede com grafittis em cores vivas, o charmoso Toads, a paragem do 484. No caminho de autocarro até Ladywell, os olhos brilharam quando passámos pelos Hilly Fields e pela minha antiga casa! O Mikey concordou: vivi num sítio bem giro!



Eram umas 4 horas quando chegámos à casa do Pedro, que estava por lá, quase de saída. Ainda tivemos tempo para um lero-lero (houve logo uma grande empatia entre ele e o Mikey, que ainda não se conheciam) e receber algumas indicações práticas para a estadia.
Estávamos muito cansados e a cama, gentilmente cedida pelo Pedro, era difícil de resistir. Daí a adiar o primeiro passeio pelo centro para o dia seguinte foi um pulinho... para a cama. Que bem que soube, adormecermos aconchegados um no outro!
Levantámo-nos às 9 horas, já noite cerrada, e rumámos ao Tesco de Lewisham, pois ainda era preciso comprar mantimentos. Como estávamos com vontade de andar a pé, fizemos o caminho que eu costumava fazer todas as semanas, no ritual das compras de Sábado.
Lewisham estava meio deserta, com quase tudo fechado, mas mesmo assim soube bem atravessar a rua principal e, à laia de guia turístico auto-nomeado, fui dizendo ao Mikey: «aqui é a biblioteca, onde eu alugava CDs e DVDs por tuta e meia», «aqui é a praça onde, durante o dia, se instala o mercado de frutas e legumes», «ei-lo, o Tesco!».

De cesto em punho, lá fomos decidindo os pequeno-almoços, as merendas para comer durante o dia e os jantares. É oficial: somos um casal exímio na arte de fazer compras de supermercado. E em tantas outras coisas, benzadeus!...
Para nosso gáudio, descobrimos um mundo de soluções baratas e apetitosas: os Kit-Kat Chunky a 30p (dois por dia, para dar energia durante as caminhadas pela cidade); os Madeira Cake a 1 libra e pouco, de vários sabores, para as sobremesas do jantar; a comida enlatada, convertível em belos pratos para o jantar (ele foi raviolis de queijo, ele foi ratatouille, ele foi caril de legumes, ele foi caril de galinha, ele foi feijões e ervilhas...).

De volta a casa, fizemos o nosso 1º jantar da estadia, conhecemos a pregnant Andrea (antiga flat-mate do Pedro, nativa de Londres, em processo de pedido de alojamento ao Borough) e terminámos o dia à conversa, com ela e com o Pedro. Adormecemos cansados da viagem, mas satisfeitos por tudo ter corrido bem.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Madonna no Rock and Roll Hall of Fame

No meio de tanta expectativa em torno da edição de "Hard Candy", não posso deixar de registar um acontecimento que tomou lugar no dia 10 de Março, em Nova York: o dia em que Madonna Louise Veronica Ciccone ingressou no Rock and Roll Hall of Fame, o galardão norte-americano que honra as figuras que melhor contribuiram para a definição da cultura popular contemporânea, no mundo da música.

No ano em que Madonna completa 50 anos de idade e 26 anos de carreira, o seu nome passa a figurar ao lado de nomes como os de Elvis Presley, The Beatles, David Bowie, Queen ou Michael Jackson.


É indiscutível o lugar de relevância que Madonna conquistou no mundo de hoje.

É impressionante o facto de ela manter esse lugar intacto, as we speak, 26 anos depois de “Everybody”, o seu primeiro registo oficial como a artista que faz hoje parte da nossa memória colectiva - quer queiramos, quer não.
É escusado nomear a quantidade de tributos, homenagens e prémios de carreira que já lhe foram atribuídos, ao longo destas duas décadas e meia, como provas de reconhecimento do papel que a sua produção artística tem vindo a desempenhar, na evolução da nossa identidade cultural.

Mas é indescritível a sensação que alguém pode ter - alguém que a acompanha desde sempre, que conhece a sua história através de tantos registos, que a sente como referência na sua própria história pessoal - ao vê-la aceitar este prémio e, talvez num dos seus discursos mais genuínos de sempre, ouvi-la percorrer, na primeira pessoa, alguns dos momentos que foram imortalizados como os primeiros capítulos de uma das mais famosas lendas dos tempos modernos. Confissões e confidências do que ela experienciou e sentiu, quando decidiu ir atrás de um sonho, agora sob uma perspectiva mais madura, mais sábia.


Uma das coisas que Madonna melhor aprendeu foi que, tal como na vida, a Arte faz-se através da colaboração. Que não é possível conseguirmos o que for, sem nos associarmos a outros. É isto que sentimos neste discurso: humildade. Nesta ocasião, certamente uma das mais importantes na sua carreira, Madonna agradece a todas as pessoas com quem se cruzou, enquanto co-responsáveis pela sua longa jornada (co-)criativa. Do professor de dança Christopher Flynn, que descobre uma força em potência naquela jovem estudante de 14 anos que não se sentia especial de todo, até aos colegas de trabalho que, com ela, tornaram concreta a sua visão artística. Passando pela sua família, como facilitadora de uma viagem «que só agora começou» e por lhe lembrar que «não sou dona, mas gestora do meu próprio talento».
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Madonna termina o discurso, dizendo:
“I’ve gone out to do so many things in my life, from writing children’s books, to designing clothes, to directing a film. But, for me, it always does and it always will come back to the music”.
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De facto, é disto que se trata e sempre se tratou. E é com a sua música que a homenagem termina, re-interpretada pelo lendário Iggy Pop. Vê-lo cantar “Burning Up” e “Ray of Light” é testemunhar a longevidade dos não-conformistas, dos que questionam o status quo, dos que procuram, pura e simplesmente, a verdade de si mesmos. Mais ainda, é testemunhar a imortalidade da Arte.
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Parabéns, Madonna.
E que venha a próxima música!

sexta-feira, 14 de março de 2008

Madonna's Candy is coming! (II)

E a 14 de Março é revelada a capa do novo album!


Mais ainda, acaba de ser lançado um novo website (http://www.tick-tock.tv/), inteiramente dedicado ao universo "Hard Candy".

Neste momento, e porque o Big Bang está ainda iminente, apenas se ouve um clock-ticking com a voz de Madonna, acompanhado de uma nova imagem gráfica. Nada mais.
O compasso de espera vai estreitando...


quinta-feira, 13 de março de 2008

Madonna's Candy is coming!

A nova etapa artística de Madonna aproxima-se a passos largos!
Depois de todos os rumores, chegam agora as informações oficiais e as primeiras imagens, a abrir terreno para o tão antecipado comeback.
Aqui vão elas, em ordem de chegada:

1) O título, a data, o primeiro single!

3 de Março: a Warner anuncia, em comunicado de imprensa oficial, o lançamento do novo album de Madonna, intitulado "Hard Candy". Será posto à venda no dia 28 de Abril de 2008.
O 1º single, a ser lançado no final de Março, será "4 Minutes" (interpretado em parceria com Justin Timberlake e Timbaland).

«'HARD CANDY' DELICIOUS NEW MADONNA ALBUM SCHEDULED TO BE RELEASED ON WARNER BROS. RECORDS APRIL 29th
Madonna's 11th studio album for Warner Bros. Records 'HARD CANDY' is scheduled to have a global release on April 28th and a US release on April 29th, it was confirmed by her label.
'HARD CANDY' (the follow up to Madonna's 'CONFESSIONS ON A DANCE FLOOR' which debuted at No. 1 in 30 countries and sold over 8 million copies), has been described as a brilliant up-tempo collection of 12 songs in which Madonna remains ensconced in club mode but this time adds an urban hip hop beat in collaboration with musical partners Timbaland, Justin Timberlake, Pharrell Williams of The Neptunes and Nate 'Danja' Hills.
The debut single, the pulsating '4 Minutes' will be released at the end of March. 'The title is a juxtaposition of tough and sweetness - kind of like I'm gonna kick your ass but it's going to make you feel good. And of course, I love candy' laughed the material girl.
Madonna, a multi-Grammy-award-winning singer, songwriter, producer, cultural icon, world renowned stage performer, video visionary, children's book author, director and documentary film maker has sold 200 million albums in the course of her unprecedented two decade plus career and is slated to be inducted into the Rock and Roll Hall of Fame on March 10th.»

2) As primeiras fotos e cover stories promocionais!

As primeiras fotos para a promoção de "Hard Candy" correm mundo, em pré-anúncio às duas grandes entrevistas que assinalam a chegada do novo album. Os títulos escolhidos são a britânica "Dazed & Confused" e a americana "Interview", ambas nas edições de Abril.
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O nome por detrás das sessões fotográficas é nada menos que (o brilhante) Steven Klein.
Conceito: o pugilismo.



3) O novo video!

5 de Março: a internet disponibiliza as primeiras video-stills do novíssimo video que promove o primeiro single, "4 Minutes". A coisa promete!




4) As audições!

6 de Março: são realizadas as primeiras audições para bailarinos (de ambos os sexos), em West Hollywood. Diz o anúncio:

Looking for strong and versatile dancers. Be prepared with everything from knee pads to different shoes.... Should be comfortable doing most any style of choreography. Dress: look good ;) hot, and able to dance.
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Os seleccionados irão trabalhar com Madonna na tour promocional do novo single e album, a decorrer a partir de Maio - e quem sabe, a julgar pelas últimas vezes, na próxima digressão mundial.
O director da mini-tour será Jamie King e Stephanie Roos, ambos coreógrafos no video de "4 Minutes".

5) A capa e data do single!

11 de Março: é revelada a capa do single de "4 Minutes", pela mão do "Corriere Della Sera".
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12 de Março: é anunciada a data de estreia do single nas rádios. Será uma rádio holandesa (Radio 538) a fazer as honras, a partir das 6 da manhã de 2ª feira, 17 de Março. Na semana seguinte, dia 25, estará disponível para download na internet.


O relógio está a contar!
"Tick-tock / tick-tock / tick-tock..."

terça-feira, 11 de março de 2008

It was so good to see you, London!

Volto a casa com aquele gosto na alma, que fica depois de visitarmos um ente querido que não víamos há anos. Durante 5 dias, revisitei a Londres que me acolheu durante ano e meio, agora de mão dada com o presente.

Foi uma experiência caleidoscópica, de alegria, nostalgia, contemplação, divertimento, tensão, descontracção, aprendizagem...

Volto cansado, com muitas léguas palmilhadas e uma (quase) directa em cima.
Mas volto feliz, por ter criado novas memórias de Londres num novo livro - aquele que escrevo em regime de parceria. Reza o capítulo que esta foi a nossa 1ª viagem fora de terras lusas! :)
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Será difícil registar tudo num só post.
To be continued...

terça-feira, 4 de março de 2008

Comemorações

Neste dia, a vida no meu mundo foi inteiramente dedicada a duas belas comemorações:

A Patrícia completou 13 anos. É oficial: a minha sobrinha-afilhada é uma teen! Tirei a tarde de folga para passearmos no Parque das Nações, visitarmos uma exposição no Pavilhão do Conhecimento e comprarmos roupa. Doing grown-up stuff!

E faz hoje 1 mês que eu e o Mikey assinámos o nosso protocolo, que tem por objecto a «definição das condições de colaboração» de ambas as partes, «no âmbito da construção de uma união significativa, partilhada com base no respeito e afecto genuínos». O acordo ganhou corpo e foi hoje celebrado com um almoço no Solar do Duque, envolvendo altos dignitários: nós dois!

O clima é de festa!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Ray of Light

A 3 de Março de 1998 era lançado "Ray of Light", o 7º album de originais de Madonna.

Dez anos depois, este continua a ser considerado um album histórico - e um dos mais aclamados - em toda a sua carreira musical.

"Ray of Light" marca a real consagração de Madonna na indústria musical norte-americana: com ele, conquista o 1º Grammy para Melhor Album (na categoria Pop) e arrasa nos MTV Video Music Awards. Chega a Nº 1 nas tabelas de vendas de 10 países. As vendas irão atingir as 14 milhões de unidades.

Certamente uma das suas obras mais sólidas a nível conceptual, "Ray of Light" encerra todo um espectro de significados, todos eles despoletados com a experiência da maternidade.

O elemento central é a Água, magnificamente convertida em imagem, nas composições fotográficas de Mario Testino, e sobretudo em música, pela mão de William Orbit.

Nas letras, Madonna coloca uma nova questão, a mãe de todas as questões, porque agora, ela é mãe: qual o sentido disto tudo?
A espiritualidade anteriormente pressentida em "Like a Prayer" assume, aqui, uma dimensão maior, absoluta. Escreve-se em sânscrito e em hebraico. Pela primeira vez, Madonna sai do seu umbigo, para se ligar ao Universo. Finalmente, atinge a maturidade. Acabava de completar 40 anos.

A mensagem também é som, e o som é energia: voltado para o futuro, "Ray of Light" veste-se de electronica, transe, trip-hop, drum 'n' bass e house. Acelera no tempo, viaja pela poeira astral, mergulha ao fundo do oceano, atravessa portais, regressa ao útero materno.
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A partir daqui, nada seria o mesmo.

There Will Be Blood

Agora sim, a segunda parte da sessão dupla.

Fomos à procura do melhor actor do ano em "There Will Be Blood" - e este foi realmente encontrado.
Daniel Day-Lewis veste a pele de Daniel Plainview, um mineiro que participa num dos episódios que viriam a determinar o rumo da História moderna: a descoberta do petróleo. Está dado o mote para uma história que fala de ambição, empreendimento, ganância, fanatismo, manipulação e outros derivados da sede de poder e riqueza.

O filme é um somatório de elementos (argumento, cinematografia, banda sonora) que lembram obras ao estilo de Elia Kazan ou Stanley Kubrick, mestres na arte de retratar o drama psicológico e o lado sombrio do ser humano.

Mas, de facto, é a interpretação de Day-Lewis que faz o filme valer a pena. Um verdadeiro caso de incorporação, do personagem no corpo do actor. Um Oscar bem merecido.

Boas razões...

... tive eu para ainda não ter conseguido escrever sobre o 2º filme da sessão dupla.

O fim-de-semana começou de manhã bem cedo, com 2 boas horas no ginásio, a libertar tensões e a manter a carne rija.

Logo a seguir, rumei à casa da mana, para a festa de aniversário da Mariana, que agora completou 7 aninhos. Estavam lá todos, incluindo a Alice e a sua alegria contagiante. Fiquei tão feliz por ver que a avó recuperou o apetite e o brilho no rosto - passei quase o tempo todo junto dela. As sobrinhas estavam lindas e a Mariana radiante. Oferecei-lhe o "The English Roses" e ela perguntou-me se a Madonna também tinha feito os desenhos. Fartei-me de rir com as tolices do Abílio. Maravilhei-me a observar os 10 amiguinhos da Mariana que estiveram presentes (lá se despertou o instinto paternal...). A tarde esteve soalheira e gozámos o sol no terraço. Fui nomeado realizador para o "documentário" da festa. Jantei caldo verde, que o estômago já não deixava entrar mais nada. Foi uma bela tarde.

À noite, descansei no conforto da casa e do toque do Mikey. Vimos televisão e fizemos pesquisas na net para a viagem a Londres (mais precisamente, quais os bons spots para ir dançar à noite). Gozámos com o novo video da Mariah Carey e vimos outros tantos da Janet. Conversámos. Rimos. Namorámos.

O dia seguinte não podia ter começado da melhor maneira, a abrir os olhos e ver o Mikey junto de mim. Ele preparou um almoço maravilhoso para nós. O sol e os 21ºC fizeram deste um dia a registar: o 1º dia do ano em que usei manga curta, sem precisar de casaco!!! A Primavera já se sente. Andámos pela Graça, contemplámos Lisboa a partir do miradouro, cumprimos o ritual do café com bolinho, rumámos à Costa para passear junto ao mar (cheguei a arrepender-me de não ter trazido o calção de banho e a toalha...), acabámos a tarde a brincar com o Alex (que atravessa agora a fase mais quebra-corações por que um bebé pode passar) e na boa companhia da Alexandra e do Carlos. Terminámos o dia de roda de um frango assado (o corpo tem vindo a pedir carnes brancas, uma vez por outra), a dobrar meias e a ver o "Hedwig" em DVD.

Cada vez mais me capacito que os fins-de-semana indistintos, aqueles que não deixavam grandes marcas na memória, estão a ficar extintos.
nm
Haverá melhor razão para ainda não ter escrito sobre o outro filme?

sábado, 1 de março de 2008

Juno

A sessão dupla de 4ª feira começou com o filme que mereceu o título de Melhor Argumento Original deste ano, escrito por uma autora de pseudónimo e passado profissional inesperados nestas lides: a ex-stripper Diablo Cody.

"Juno" é pura comédia. O filme é um retrato delicioso sobre a adolescência e, mais ainda, sobre o teenager americano - essa espécie tão única. Com uma agravante: uma delas engravida acidentalmente. A progenitora é uma miúda com ar de maria-rapaz, proprietária de um telefone em forma de hamburger, fã dos primeiros grupos de punk-rock de 1977 e que se está nas tintas quanto aos padrões de "coolness" estilo High School Musical; o progenitor é magrito, usa calções de corrida amarelos nos treinos da escola e é viciado em Tic-Tacs com sabor a laranja.
Need to say more?

No meio das doses de bom humor presente nos personagens, nos diálogos e nas situações que vão surgindo, o filme revela-nos 2 elementos que gostei de reconhecer: por um lado, um acontecimento que traz consigo a etiqueta de "problema", pode ser vivido sem dramas; por outro, mesmo sendo problemático e complicado por mérito próprio, o adolescente pode abarrotar de candura e simplicidade.

Já sentia falta de uma comédia deste calibre.

We love the movies!

No Domingo passado, tivemos mais uma edição daquele que é considerado o maior espectáculo de televisão a nível mundial, a seguir aos Jogos Olímpicos: os Óscares.
E como eu gosto daqueles pequenos rituais que sobrevivem ao teste do tempo, as pipocas fizeram parte do serão - a saga que foi para encontrar milho para pipocas... o Mikey que o diga, coitadinho. Pipocas devidamente caramelizadas e degustadas, enquanto víamos as senhoras, todas bonitas, a andar pelo tapetinho vermelho. E sim: pela primeira vez em 30 anos de visionamento dos Óscares, fi-lo a dois. (suspiro)

Eu que torcia pelo "Atonement", acabei com um melão daqueles (adormeci a meio da transmissão, mas o Mikey contou-me, na manhã seguinte), por ter levado apenas a estatueta para melhor banda sonora. "No Country For Old Men", dos irmãos Cohen, foi o vencedor.

E com os prémios atribuídos, decidimos seguir as sugestões do Sr. Óscar e combinámos uma sessão dupla de cinema - a minha primeira, que a do "Truth or Dare" não conta.
Decidimos então averiguar o Melhor Argumento Original ("Juno") e o Melhor Actor (Daniel Day-Lewis, em "There Will Be Blood").

We love the movies! :)