A nova animação da Blue Sky, assinada pela mesma equipa que criou "Ice Age" (e uma das minhas personagens de eleição, o nervoso Scrat), traz-nos a história do elefante Horton, que por acidente, descobre todo um mundo de pequenos seres a habitar num grão de pó que flutua pelo ar.Mas "Horton Hears a Who!" não é apenas um filme para crianças; também um adulto encontra pontes interessantes entre esta fantasia e a nossa realidade, ao reconhecer estados tão familiares como a intolerância ou o preconceito.
Chamo-lhe interessantes porque, enquanto que outras fábulas do género abordam estes temas usando sempre as mesmas fórmulas, a história de Horton vem enriquecida com alegorias a momentos da nossa História que tão bem os ilustram. Lembrei-me de personalidades cuja visão pioneira e "subversiva" desafiaram a ordem imposta pela Igreja Católica, por um preço bem elevado; lembrei-me dos sistemas políticos que atentam contra a liberdade individual e o livre pensamento - tão bem representados na figura da mãe-canguru, toda ela conservadora e defensora da ideia de que a imaginação é veneno para a mente.
Lembrei-me também das noites em que, ainda miúdo, perdia o sono a pensar nisso do Universo ser infinito e da Terra ser um grão de areia num vasto oceano de galáxias.
De facto, é tudo uma questão de escalas e dimensões. Afinal, também nós podemos estar a ser carregados na tromba de um qualquer elefante cósmico, que nos queira levar para um lugar seguro; afinal, também a nossa "salvação" do caldeirão com óleo a ferver seja a capacidade de acreditar - em nós próprios, no Grande Elefante e na sua máxima, na qual «uma pessoa é uma pessoa, por mais pequenina que seja».

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