Faltava-nos ver o filme que deu a Marion Cotillard o Oscar de Melhor Actriz deste ano.Fazer um filme sobre Edith Piaf seria certamente uma ideia ambiciosa. A intenção de retratar as mulheres da nossa mitologia na grande tela acaba sempre por resultar numa de duas coisas: numa obra-prima ou num desastre.
Aos exemplos magistrais de "Cleópatra", "Evita" ou "Elizabeth", junta-se agora "La Môme", que nos conta a história do maior ícone da cultura francesa, Edith Piaf.
O filme é tão intenso e perturbador quanto a própria história desta mulher, nascida e crescida na miséria de uma Paris de início de século e transportada para a fama aos 20 e poucos anos.
Não obstante a normal cadência cronológica, a narrativa leva-nos a saltar entre passado, presente e futuro, para melhor compreendermos a vertigem em que Piaf viveu, dominada por feridas e fantasmas que dariam força tanto à sua arte como à sua própria destruição.
Mas o que realmente marca neste filme é a interpretação de Marion Cotillard, talvez numa das melhores encarnações que já vi no cinema, pelo exercício impressionante de transfiguração que aqui protagoniza.
E depois temos a música, na voz da própria Piaf.
Arrebatador.

1 comentário:
Tu és tão querido a fazer os teus posts...
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