segunda-feira, 30 de junho de 2008

Don't want to disconnect

Saio de um fim-de-semana conturbado. Nada que se atibua a acontecimentos exteriores. Aliás, foram dois dias na companhia do Mikey, da família e dos amigos. O dia perfeito de praia, a sardinhada tão gira em casa da Helena, a alegria das sobrinhas na mini-piscina... olho para trás e reconheço como sou abençoado, por ter tudo isto.

Mas por dentro, um turbilhão mental e emocional não me deixou descansar, muito menos disfrutar, por inteiro, de momentos tão preciosos. Senti-me dormente. Apenas o ego a reagir à frustração de não conseguir estar totalmente presente.

O fim-de-semana terminou numa reunião com os meus pares. A segunda de tantas que estão por vir, para um propósito tão grande como o de trabalhar a Luz. E nesta reunião, foi iniciado um processo: o de equilibrar a mente e o ego, por meio da meditação.

Mais uma vez, não há coincidências. Apenas ressonância.
É altura de me conectar com o meu Deus.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Uma bela surpresa

Hoje fui alvo de uma surpresa como há muito não tinha.
O Mikey apareceu no meu local de trabalho, de folha A4 na mão a fazer de cartaz, a aunciar um convite para irmos almoçar.
A possibilidade era tão remota para mim, que ainda o deixei a segurar o papel durante largos segundos, sem perceber que era ele, enquanto falava com a Cláudia sobre assuntos de trabalho.
Quando olhei para a pessoa que estava à entrada e percebi quem era, fiquei incrédulo.
Fomos almoçar e o meu dia, de repente, transformou-se em pura alegria.

Moral da história: estar sem telemóvel também pode ser o motivo para uma bela surpresa...

Sex and The City

A noite que antecedeu o 10 de Junho foi vivida de forma solene. Eu, o Mikey e a Helena fomos assistir a “Sex and The City”, o filme por tantos esperado e que fez ressuscitar o fenómeno de popularidade gerado pela já mítica série da HBO (e a minha favorita de sempre).

O clima de antecipação fazia-se sentir até mesmo no cinema Londres: a poucos minutos de chegar a nossa vez na bilheteira, a sessão das 22:00 acabava de esgotar. Decidimos esperar pela sessão seguinte, a da meia-noite, entre chá, café, fotografias e conversas no Magnólia.
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Nos primeiros minutos do filme, todo eu e toda a Helena éramos excitação, pois estávamos diante da grande tela, a ver um episódio de 2 horas, totalmente inédito, da nossa série de culto!

De facto, é disso que se trata: da continuação de uma história que atravessou 6 anos (1998-2004) e que encerrou com um bem merecido “happy end”.

“Sex and The City” (o filme) retoma a vida de Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte depois do tal final feliz, para mostrar a realidade das suas relações - o amor a ser submetido ao teste do tempo.

O tempo é, seguramente, um dos elementos centrais do filme. Os personagens estão 10 anos mais velhos, Nova Iorque sente-se diferente, entra em cena uma nova geração (personificada pela assistente de Carrie). Mas, para alívio de todos nós, a energia das protagonistas mantém-se intacta e elas estão ainda mais "fabulosas".

Reconheço: sou estupidamente parcial para avaliar este filme. Sim, há falhas no argumento, no tratamento dos personagens, na banda sonora. Sim, a história só pode ser descodificada na íntegra por quem conhece a série de perto.
Mas para mim, ficou a sensação maravilhosa de ter estado com 4 velhas amigas, que já não via há 4 anos. E claro, ficou também a vontade de ver o filme mais uma vez, e mais outra, e mais outra.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Reprogramação

Mesmo abraçando a ideia de que cada dia é irrepetível (até mesmo 2 dias inteiros a dormir serão sempre diferentes) ou mesmo integrando a noção de que a realidade pode ser um mar de incertezas, há uma parte de nós que precisa de sentir a vida a correr a uma certa “velocidade de cruzeiro”, para que a melhor possamos gerir.
Fomos programados assim: a depender da estabilidade exterior para manter a paz interior.

Pois ultimamente, tenho sido desafiado por alguns episódios, dos pequenos aos de maior escala, que têm brincado com a minha estabilidade exterior.
Curiosamente, há um denominador comum entre si: o da privação de comodidades que são hoje dadas como quase garantidas - quase todas relaciondas com as comunicações e as tecnologias.

De repente...
... estou sem internet no meu pc;
... entro no supermercado e, pela primeira vez na vida, vejo a secção dos alimentos frescos absolutamente vazia, devido a uma greve causada pela escalada no preço do petróleo. A situação dura quase 1 semana;
... fico sem computadores operacionais no local de trabalho durante um dia inteiro;
... estou há 1 semana sem telemóvel e, pior ainda, com poucas oportunidades para comunicar com o Mikey.

Dou por mim a não reagir bem a estas privações. O que me leva a concluir que estou perante uma boa oportunidade para reprogramar a minha noção de paz interior.

A seu tempo, lá chegarei.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

The London Diaries (III)

(e as fotos são do Mikey)

Sábado, 8 de Março: DAY THREE

Parecia que as nuvens e a chuva tinham vindo para ficar para o nosso fim-de-semana em Londres. Mas tal não interferia na nossa vontade de aproveitar aquele 3º dia da estadia a bater perna pela cidade e disfrutar da condição de turista.

O relógio marcava as 15:00 quando nos pusemos a caminho do centro. Logo para começar, enquanto a visão se habituava ao cinzento predominante do dia, na descida pela Harefield Road demos de caras com um “pequeno” apontamento de cor rosa-choque, sobre 4 rodas – outrora um táxi comum, agora parecia convertido em objecto particular, traduzindo primorosamente a vertente kitsch de muito londrino.
E o respectivo dono logo se manifestou, no segundo em que o Mikey puxava da máquina fotográfica e enquadrava a relíquia: saíndo do salão de cabeleireiro do outro lado da rua, uma rapariga de cabelo a condizer com a viatura correu para junto desta, qual mãe protegendo a sua cria, enquanto nos perguntava se éramos funcionários do Borough e se havia algum problema...



Findo o estranho episódio, lá se tirou a foto e seguimos em direcção a Westminster, para visitar o pai da cidade: o velho e obrigatório Big Ben.

À saída da estação, percebemos que não éramos os únicos resistentes ao mau tempo: a ponte de Westminster encontrava-se apinhada de turistas, como era habitual.
Enquanto nos tentávamos abstrair do vento e da chuva miudinha, para apreciar a magnificiência das Houses of Parliament e do Big ole’ Ben, outro momento de interacção com desconhecidos: uma mulher claramente italiana abordou-nos, para que lhe tirássemos uma foto, junto de outra mulher claramente italiana – logo o nosso gaydar sinalizou “namoradas!!!”.
Aproveitei a deixa para lhes pedir que nos tirassem uma foto também, a mim e ao Mikey. E mais outra, que estas coisas são de aproveitar. Agradecimentos feitos, dávamos por terminado o momento “euro-gay pride” da viagem – ou, se preferirmos, o encontro de culturas mediterrânicas no novo século.


Passámos a Westminster Abbey e, a caminho de St. James’ Park, parámos para fotografar o Mikey num dos mobiliários urbanos talvez mais atraentes e emblemáticos de sempre: a cabine telefónica vermelho-vivo. Esta seria uma das fotos de eleição da viagem: simplesmente perfeita.

Mais à frente, o parque de St. James fazia-me sentir como uma cidade tão cinzenta como Londres, num dia tão cinzento como aquele, pode produzir cores naturais tão vibrantes e variadas – tantas quanto as espécies de flores que nos estimulavam a vista.

E porque é de contrastes que Londres é feita, a paz dos jardins, do lago e dos animais de St. James deu lugar, num abrir e fechar de olhos, a um novo frenesim de carros, pessoas e arquitectura, com um dos nós mais atraentes da cidade: Trafalgar Square, com o seu obelisco ao centro, ladeado pelos enormes leões de bronze e a lindíssima National Gallery atrás.
Logo me lembrei das vezes que por ali passei de autocarro, a caminho do trabalho, ou da enorme árvore de Natal que ali é montada, por tradição.

A vibração do local e as memórias fizeram-me querer subir o Strand e mostrar ao Mikey o teatro que acolhia o meu musical de eleição. Tive pena, pois «Chicago» tinha sido substituído por «Joseph and The Amazing Technicolor Raincoat».

Sandwiches degustadas, a chuva miudinha que teimava em cair e a vontade de beber um café bem quente empurraram-nos para o Leon’s - um café giro giro, de inspiração 50’s, com uma empregada gira gira e bem simpática. Escolhemos a melhor mesa (a que se encostava à montra) e, entre conversas e fotos, apreciámos o café, o movimento do Strand e tudo o que nos estava a acontecer naquele momento, nas nossas vidas.


Saímos do café para descobrir um raio de Sol (típico de Londres...) e rumar ao West End e a Covent Garden – seguramente, uma das paragens que eu mais ansiava.
Escusado será referir o bem que soube andar novamente por ali. No West End respira-se a magia do teatro e cada edifício, cada cartaz, é um convite que se recusa a muito custo.

A tarde ia a meio e o Mikey sugeriu que eu ligasse ao André, para combinarmos uma saída para essa noite. Em casa do Stuart, o seu novo boyfriend que convalescia de uma operação às pernas, o enfermeiro André sugeriu que nos encontrássemos no Strada, onde ele se ia encontrar com a João, com quem ia ver um concerto da Roisín Murphy (inveja!!!).

Combinação feita, entrávamos finalmente em Covent Garden, para cirandarmos por entre as mil-e-uma lojinhas, as bancas de feira do Apple Market e os animadores de rua.


Eram quase 18:00 e saímos da pequena wonderland, rumo à zona ribeirinha, onde a João trabalhava. Atravessámos a ponte de Waterloo e descemos junto ao National Theatre, onde entrámos para uma visita às instalações.

Já à porta do Strada, avistámos o André e a João que, assim que me viu, saiu disparada do restaurante para se atirar a mim, provavelmente no abraço mais abrutalhado e escorregadio da história humana – há coisas que nunca mudam.
Daí até à estação de metro mais próxima, pusemos a conversa em dia (já não via aquela miúda há anos) e combinámos uma saída para a noite.

Antes de regressarmos para o jantar, quis levar o Mikey a conhecer a meca de todo o consumidor de música e filmes: a HMV de Oxford Street. Dois andares de puro deleite, especialmente a secção de vinyl - que, ao que parece, está a voltar em força naquela ilha. Quase não resisti a trazer o 7’’ de “A&E”, o novo single dos Goldfrapp. Mas não queria sair dali de mãos a abanar, pois que não: entre tanta raridade que por lá andava, escolhi o DVD do belíssimo “The Misfits”, juntamente com um belo par de headphones daqueles de encher a orelha, bem mais baratos que em Lisboa (uns Sony a 15 libras???).


Com o bichinho das compras satisfeito, estava na altura de satisfazer o da fome: voltámos a Brockley para o já típico jantar “à lá Tesco” e mudámos de roupa, para a noitada que se avizinhava – ainda em Lisboa, decidimos que queríamos passar o nosso Sábado-à-noite londrino a dançar.

Contudo, e ao contrário do desejado, a noite foi, no mínimo, estranha:

1) enquanto esperávamos pelo comboio em Brockley, a escuridão, o vento frio e a chuva miudinha despertaram-me a mesma sensação de desconforto que, há 4 anos atrás, me deprimiam todo o santo dia;
2) já no Soho, com o André e a João, os planos foram por água abaixo, pois já se fazia tarde para ir dançar e a comunicação entre o André e o Mikey, mais uma vez, decorria com “algumas” interferências;
3) no regresso a casa, constatei a falta que não sentia – de todo – de viajar no N171, pejado de uma fauna nocturna nada atractiva e bem alcoolizada (felizmente, a João ia-me distraindo com as suas tolices);
4) no caminho a pé para casa, tivemos que contornar o cemitério de Brockley, o que aumentou exponencialmente a sensação de desconforto e o desejo de cairmos numa cama bem quentinha.

Poucos minutos depois, o desejo foi correspondido. Logo logo, adormecemos profundamente, deixando para trás um dia que, apesar do mau tempo e dos momentos estranhos, foi vivido a dois.

And that’s all that matters...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Vivó Sant'António!

O dia está quente, o sol radioso e a cidade veste-se a rigor, preparando-se para a festa de logo à noite. Da Avenida aos bairros de toda a gente, já se sente o espírito da Lisboa castiça, colorida e namoradeira.

Lá em casa há jantarola e segue-se uma boa "vadiagem" pelos arraiais.

E só para aquecer...


Ai que triste era eu
Por ti andar esquecidinho
Mas trouxeste-me o amor meu
Desta vez, meu Santo Antoninho!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Dia Mundial do Ambiente

Ontem adormeci triste e quase angustiado, depois de ter visto um documentário do National Geographic sobre a crise ambiental no nosso Planeta. O que foi dito, já ouvimos milhões de vezes. Mas teimamos em não fazer nada, ou fazer muito pouco.
O ser humano distingue-se das restantes espécies também pela ganância e pela burrice. Por tudo isto e tanto mais, adormeci triste, quase angustiado e com vontade de fazer qualquer coisa.

Hoje acordei com a crença (ingénua ou não) de que ainda é possível minimizar esta trapalhada. E fiquei a saber que hoje é Dia Mundial do Ambiente.
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imagem de Ann Elliot para a Time

terça-feira, 3 de junho de 2008

Um recorde absoluto!

Madonna bateu um recorde absoluto de vendas em Portugal: em apenas 2 horas, vendeu mais de 20 mil bilhetes!

Segundo o balanço da Everything Is New, às 11:40 de Sábado já tinham sido vendidos 20.546 ingressos (fonte: Blitz).
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E os números continuam: ao longo desse dia foi vendido um total de 40 mil bilhetes, tendo o dia seguinte registado mais 15 mil unidades, o que fez um total de 55 mil bilhetes vendidos nos 2 primeiros dias apenas, dos 75 mil disponíveis.

Ontem, dia 2 de Junho, a promotora anunciou que apenas 9463 bilhetes estão à venda, o que significa que esta semana o concerto irá esgotar, seguramente.
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Quem disse que a senhora não arrasta multidões, mesmo por estas bandas?

"Bahok" ou a Torre de Babel

Depois de “Kaash” (2002) e “Zero Degrees” (2007), voltei a testemunhar a genialidade de Akram Khan, na sua mais recente criação. Co-produzido em parceria com o Ballet Nacional da China, “Bahok” apresentou-se no Festival Alkantara como «a versão actual da Torre de Babel».

A peça desenvolve-se na sala de espera de um aeroporto, lugar de passagem e encontro de pessoas e mundos diversos. Cada bailarino personifica uma cultura, tão alienígena quanto a dos restantes. Vivemos num mundo que é nosso, mas é tão possível sentirmo-nos estranhos, assim que passamos uma fronteira.
Nesta "Torre de Babel", a dança, a música e o teatro cruzam-se para explodir em catarse: a procura desesperada de uma raíz, de uma “casa”; as memórias de uma pertença perdida; o instinto de defesa perante o que é estranho; o encontro da semelhança através do Amor.


Novamente, a coreografia de Akram Khan foi arrebatadora. Novamente, a simbiose com Nitin Sawhney foi sublime. Nos três primeiros “actos” da peça, tive dificuldade em conter a energia que entrava pelos meus sentidos adentro.

Ficou na memória mais um grande espectáculo de Dança. E a passagem final:
«- What do you carry?
- Memory. Body. Home. Hope.»

O bilhete!

Mesmo sabendo que os bilhetes para a nova digressão da Madonna iriam ser postos à venda em montes de sítios (até nos CTT, nas agências Abreu e, acredite-se ou não, nas livrarias Bulhosa...), queria participar do frenesim que seguramente se ia instalar no Sábado que passou, dia 31 de Maio.

Por isso mesmo, pus o depertador para as 7:30 da manhã, para estar à porta dos Armazéns do Chiado muito antes das 10:00. Chegara a vez de me vingar: não só não iria perder esta digressão, como também queria ser um dos primeiros a comprar o bilhete, ora pois!

Cereais comidos à pressa, saí de casa do Mikey a passo largo e meti-me no metro, enquanto Lisboa ainda acordava – afinal, era Sábado de manhã. Cheguei ao local da acção pelas 8:40, e para alegria minha, esta já estava a acontecer: já umas 30 pessoas faziam fila, Rua do Carmo abaixo! E assim marquei o meu lugar, junto à montra da Springfield. As pessoas não paravam de chegar e, em poucos minutos, a fila passava à porta da H&M, e por aí diante. Fui enganando o tempo com o meu mp3 e um sms ao Pedro, que acabou por me ligar, a partir de Timor, para saber o que se ia passando.

Até que, pouco antes das 10:00, deu-se o alerta vermelho: as pessoas à minha frente puseram-se “em sentido”... as portas dos Armazéns iam abrir! Logo veio à memória o momento em que, à porta do Atlântico, foi dado sinal para nos levantarmos e nos pormos em fila, dois a dois, minutos antes dos portões se abrirem para a Re-Invention Tour.
A pontualidade foi ao segundo: às 10 em ponto, começou a marcha lenta em direcção à FNAC, com vários seguranças à porta dos Armazéns, a controlar o fluxo de gente. Éramos, à vontade, umas 100 pessoas, todas com o mesmo objectivo: o de querer presenciar o concerto do ano em Portugal.

A dada altura, consegui vê-los finalmente: os bilhetes! Pilhas de bilhetes, que iam sendo desempacotados pelos assistentes de vendas (6 funcionários, pois a ocasião mais que justificava o reforço no pessoal da bilheteira), ao mesmo tempo que as primeiras pessoas compravam os desejados items - algumas delas não contendo o sorriso de “missão cumprida”, ao sair da bilheteira. Uma das assistentes disse em voz alta: “cada pessoa pode comprar um máximo de 6!”. Eu ia comprar 5.

Enquanto íamos avançando, dei de caras com um expositor à minha direita, forrado com a carreira de “who else?” em CDs, do lendário “Madonna” de há 25 anos ao “Hard Candy” dos dias de hoje. Depois, uma imagem no ecrã gigante a anunciar o concerto, entre tantos outros que iam rodando. Momentos solenes.

E às 10:20, o mais solene de todos: tinha chegado a minha vez! “São 5 bilhetes, por favor”. E aí estavam eles, na minha mão. Um deles é o meu.

Agora, é só esperar.