domingo, 23 de março de 2008

The London Diaries I

Duas semanas depois da grande viagem a Londres, chegam os diários.

Esta foi uma viagem de muitos significados: foi o regresso à cidade onde vivi durante ano e meio, 3 anos depois da última visita; foi a primeira viagem com o Mikey, para lá de Portugal (com sabor a “honeymoon trip” de namoro); foi uma merecida evasão de 5 dias, para puro turismo & lazer!
Mas começemos do princípio, que é mais fácil.

5ª feira, 6 de Março: DAY ONE

Fico sempre nervoso quando viajo de avião. Não tanto pelo voo em si (até me divirto com as descolagens e as aterragens, lembram-me os parques de diversões), mas pelo stress das etapas que nos levam até ao veículo aéreo: os horários do check-in; a sensação de que a mala vai ultrapassar o limite máximo de peso; as longas esperas nas filas, a andar em estranhos ziguezagues; as mil vezes que temos que mostar o passaporte/B.I.; etc.

Esta vez não foi excepção. Logo pela fresquinha, na manhã soalheira de 5ª feira, rumámos de táxi para o aeroporto, eu a sentir aquelas cócegas de ansiedade no estômago, o Mikey numa abençoada descontracção - afinal, íamos perfeitamente a tempo.
Depois de queimarmos uns minutos na tabacaria, a olhar para os jornais do dia e a dar de caras com a própria da Floribela (a Luciana Abreu, entenda-se), embarcámos por volta das 10 da manhã.
As cócegas, teimosas, mantiveram-se ao longo do voo: o regresso a Londres estava mesmo a acontecer! Sentia-me feliz, porque estava sentado ao lado do meu querido Mikey, na nossa primeira viagem de avião em conjunto.


Por volta do meio-dia, o comandante anunciou a descida a Londres. Pela janela, comecei a avistar a famosa paleta de verdes-escuro, castanhos e cinzentos (das casas, das estradas, dos campos), que denunciavam a chegada a Inglaterra.

A recepção não poderia ser mais típica... 10 graus centígrados e céu cinzento.
Primeira surpresa: o aeroporto de Luton estava bem mais catita! Já não era mais aquele terminal manhoso de cargas e descargas; agora, tinha mesmo ar de aeroporto.
Não tão catita foi o trajecto de Luton ao centro de Londres. Já sentados no autocarro-expresso da Green Line, fomos encontrando as filas imensas de casas vitorianas e de habitação social, a desenhar uma paisagem tão fria como o tempo que fazia.
Ao passar por Brent Cross, chamei a atenção do Mikey, apontando uma paragem de autocarro, a que assinalou o começo de tudo (onde eu e o André esperámos pela Nita, ainda meio atordoados com toda aquela sensação de estranheza e medo; onde, dias depois, esperámos pela Joana, para completarmos a equipa).
Uma meia-hora depois, o grau de fotogenia dos edifícios foi aumentando e as primeiras ruas com a azáfama tipicamente londrina foram surgindo, até que, finalmente, o motorista gritou: «MARBLE ARCH!».



E ali estava mesmo: Marble Arch! E o Hyde Park! E Oxford Street! Até que enfim, estávamos em Londres!!! Tudo aquilo me entusiasmou. Já com os pés em solo definitivo e no meio do vaivém de pessoas, percebemos que o frio tinha apertado e a fome também. Decidimos recorrer ao óbvio: fast food, no McDonald´s junto à estação de Bond Street (coitado do Mikey, deram-lhe um hamburger com o ar mais triste e queimado do mundo...).
Percebemos que seria penoso andar pelo centro com as malas atrás, por isso concordámos em rumar a Brockley, à casa do Pedro (e nossa casa emprestada, durante os dias seguintes), para deixar os pertences. Se o corpo o permitisse, voltaríamos ao centro para dar o primeiro passeio, com o primeiro Day Travelcard no bolso.

Daí para a frente, foi um não-parar de reencontros: o metro, com os seus labirintos ordeiros, as carruagens estreitas (não há nada como as de Lisboa) e o «Mind the Gap»; a estação de London Bridge, com as lojinhas de comida tão yummy, os headlines dos jornais espalhados aqui e ali, os painéis electrónicos a anunciar os próximos comboios; o percurso para casa, com a Londres menos glamourosa do outro lado da janela e a voz do senhor na gravação, a anunciar «Brockley, this is Brockley».


No minuto em que pusemos o pé em Brockley, um aperto no peito apanhou-me de surpresa. Ali estava, debaixo do céu cinzento, a localidade que eu chamei de casa, num passado não tão distante. Em alguns segundos, passaram-me pela cabeça os inúmeros momentos em que chegava a Brockley, vindo da faculdade ou do trabalho, a sentir tristeza, cansaço, frio e saudades de casa. Voltando ao presente, mandei os pensamentos para o espaço e disfrutei do momento. Estava tudo lá: o pub local (The Brockley Barge), a parede com grafittis em cores vivas, o charmoso Toads, a paragem do 484. No caminho de autocarro até Ladywell, os olhos brilharam quando passámos pelos Hilly Fields e pela minha antiga casa! O Mikey concordou: vivi num sítio bem giro!



Eram umas 4 horas quando chegámos à casa do Pedro, que estava por lá, quase de saída. Ainda tivemos tempo para um lero-lero (houve logo uma grande empatia entre ele e o Mikey, que ainda não se conheciam) e receber algumas indicações práticas para a estadia.
Estávamos muito cansados e a cama, gentilmente cedida pelo Pedro, era difícil de resistir. Daí a adiar o primeiro passeio pelo centro para o dia seguinte foi um pulinho... para a cama. Que bem que soube, adormecermos aconchegados um no outro!
Levantámo-nos às 9 horas, já noite cerrada, e rumámos ao Tesco de Lewisham, pois ainda era preciso comprar mantimentos. Como estávamos com vontade de andar a pé, fizemos o caminho que eu costumava fazer todas as semanas, no ritual das compras de Sábado.
Lewisham estava meio deserta, com quase tudo fechado, mas mesmo assim soube bem atravessar a rua principal e, à laia de guia turístico auto-nomeado, fui dizendo ao Mikey: «aqui é a biblioteca, onde eu alugava CDs e DVDs por tuta e meia», «aqui é a praça onde, durante o dia, se instala o mercado de frutas e legumes», «ei-lo, o Tesco!».

De cesto em punho, lá fomos decidindo os pequeno-almoços, as merendas para comer durante o dia e os jantares. É oficial: somos um casal exímio na arte de fazer compras de supermercado. E em tantas outras coisas, benzadeus!...
Para nosso gáudio, descobrimos um mundo de soluções baratas e apetitosas: os Kit-Kat Chunky a 30p (dois por dia, para dar energia durante as caminhadas pela cidade); os Madeira Cake a 1 libra e pouco, de vários sabores, para as sobremesas do jantar; a comida enlatada, convertível em belos pratos para o jantar (ele foi raviolis de queijo, ele foi ratatouille, ele foi caril de legumes, ele foi caril de galinha, ele foi feijões e ervilhas...).

De volta a casa, fizemos o nosso 1º jantar da estadia, conhecemos a pregnant Andrea (antiga flat-mate do Pedro, nativa de Londres, em processo de pedido de alojamento ao Borough) e terminámos o dia à conversa, com ela e com o Pedro. Adormecemos cansados da viagem, mas satisfeitos por tudo ter corrido bem.

2 comentários:

sol auto existente amarelo disse...

então e o resto????
isto assim é giro... parece uma telenovela!!!

o público aguarda, expectante, pelo 2º dia...

j

Fred disse...

De facto o paladar pede mais uma dentada neste prato saboroso que foi a vossa viagem...