terça-feira, 20 de maio de 2008

Os Quatro Acordos

Entre os meus actuais livros de cabeceira, está um daqueles de auto-desenvolvimento que sabe (e faz) tão bem ler, de vez em quando.

«Os Quatro Acordos» (2001), escrito por um tal de Don Miguel Ruiz, explora os mecanismos pelos quais a nossa mente é “programada” (pelo mundo exterior e por nós próprios) para operar segundo padrões de comportamento que, normalmente, acabam por limitar o nosso potencial de mestria.

Descontando algumas ideias com as quais não me identifiquei lá muito, retiram-se daqui alguns ensinamentos interessantes, como ferramentas para a criação de novas “programações” - ou “acordos” - que nos ajudam a dar mais uns passos no sentido de nos tornarmos uma versão melhor de nós mesmos.

Quantro bons conselhos para conhecer e integrar.

1 – Ser impecável com a Palavra

“No princípio era o Verbo...”. Não é por acaso que um dos livros mais significativos de sempre começa assim. A Palavra como instrumento da Criação de Deus serve de símbolo para aquilo que melhor distingue o ser humano das restantes espécies: o poder de criar através da Palavra. Muitos apontam-na como a nossa ferramenta mais poderosa, através da qual TUDO se manifesta.

Se a Palavra, seja pensada ou verbalizada, é a semente da criação, a mente é o seu terreno fértil, cultivado ao longo do nosso crescimento com as palavras que nos foram rodeando. Estavam estabelecidos os nossos primeiros acordos/programações, numa mente devidamente treinada para o efeito, dada a sua permeabilidade à energia das sementes que recebe.

Ser impecável é viver “sem pecado”, não no sentido religioso do termo: é não ir contra nós proprios e assumir a responsabilidade dos nossos actos, sem nos julgarmos ou culparmos. O nosso maior “pecado” será, nesta ordem de ideias, a auto-rejeição.
Ser “impecável com a palavra” é usar a energia da Palavra na direcção da Verdade e do Amor-próprio.

Este é um acordo difícil de integrar, na medida em que fomos habituados a fazer “mau uso” da Palavra (isto é, para julgar, censurar, culpar, mentir...), tendo treinado a mente para tal.

A nova programação passa por fertilizar (treinar) a mente com energia positiva, substituindo as “sementes” do medo pelas do Amor, usando a Palavra de forma íntegra, verdadeira e amorosa.

2 – Não se sentir pessoalmente atingido

Aquilo que os outros dizem ou sentem sobre nós não tem tanto a ver connosco, mas consigo próprios, na medida em que os seus pontos de vista partem das suas programações.

O mesmo se aplica às opiniões que temos sobre nós próprios: estas não são necessariamente verdadeiras. A nossa mente funciona a vários níveis e rege-se por diferentes acordos, que por vezes podem gerar informações incompatíveis entre si - razão pela qual, por vezes, não sabemos o que queremos, como e quando queremos, por existirem partes da mente a desejar e a definir coisas diferentes. É o caos mental a instalar-se. E acabamos por mentir aos outros porque, em primeira instância, mentimos a nós próprios.

Se precisarmos apenas de confiar em nós próprios, não nos sentiremos pessoalmente atingidos pelo que os outros dizem ou fazem. Este acordo funciona para ambos os pólos: mesmo que nos elogiem, nós já sabemos de antemão o que somos.

3 – Não fazer presunções

A mente humana tem tendência para racionalizar, para justificar e explicar tudo, para que seja produzida a sensação de segurança. Fazemos perguntas e precisamos de respostas. Mas por vezes, impedimo-nos de fazer perguntas... justamente para não nos sentirmos inseguros. É neste momento que fazemos presunções acerca de algo. E assumimo-lo como real... mesmo sem ter a certeza da sua realidade. Esta é a nossa esfera de controlo.

A questão mais delicada surge na nossa esfera relacional: ao presumirmos que o outro está a sentir ou a pensar de determinada maneira, podemos compreendê-lo mal e sentirmo-nos pessoalmente atingidos - tudo com base apenas nessa presunção, nessa construção mental, e não com o que o outro estava realmente a sentir ou a pensar.

Também fazemos presunções sobre nós próprios. Sobre ou sub-estimamo-nos, porque não nos damos tempo para colocar questões a nós próprios e respondê-las. Daí, nascem os conflitos internos.

A maneira de nos abstermos de fazer presunções é criando uma comunicação clara, connosco próprios e com os outros. É fazendo perguntas. E mesmo quando ouvimos a resposta, não devemos presumir que já sabemos tudo.

4 – Fazer sempre o melhor possível

Em qualquer circunstância, podemos fazer o melhor possível, nem mais nem menos.
Contudo, o melhor possível nunca será o mesmo em todos os momentos e circunstâncias. O nosso melhor possível depende do nosso estado de espírito, das emoções que emanamos, até da criação do hábito de novos acordos.

Tentar fazer mais do que o nosso melhor é investir mais energia do que necessário. Ao executar em excesso, o corpo esgota-se e agride-se, levando mais tempo a cumprir o objectivo.
Fazer menos que o melhor possível é ficar sujeito à frustração, à auto-crítica, à culpa e ao arrependimento.

Ao fazermos o nosso melhor, não damos oportunidade para auto-julgamentos e aprendemos a aceitarmo-nos – estamos conscientes de nós próprios e aprendemos a partir dos nossos erros. Aprender a partir dos nossos erros é praticar, observar honestamente os resultados e continuar a praticar. Isto aumenta a consciência.

Fazer o nosso melhor é agir porque se gosta, porque se desfruta da acção, e não porque se espera uma recompensa. Esta acaba por vir, mas não estamos presos a ela. Acima de tudo, é retirar prazer de cada momento da acção, pelo que ela é.
É retirar prazer da vida.

1 comentário:

Anónimo disse...

Há um 'acordo' que me soa melhor, aquele que fica na frase «amanhã acordo contigo». Acordar contigo é bom.